MAPA

MAPA

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Mal Thaumaturgo – Foz do Breu – Mal Thaumaturgo


Mal Thaumaturgo – Foz do Breu – Mal Thaumaturgo

Hiram Reis e Silva, Marechal Thaumaturgo, Acre, 19 de dezembro de 2012.

-  17.12.2012 – Partida para Foz do Breu

Choveu a noite toda prenunciando um aumento considerável da velocidade das águas do Rio Juruá. A lancha “Mirandinha” iria enfrentar no dia seguinte além da formidável torrente uma dificuldade a mais, a enorme quantidade de troncos e entulhos que por vezes bloqueavam grande extensão de nossa rota exigindo muita habilidade dos piloteiros Mário e Marçal.

Partimos às 09h15, depois de reabastecer a lancha com cem litros de gasolina do crédito de combustível do Destacamento. A viagem transcorreu sem alteração exceto pela chuva fina e fria que só deu trégua na chegada à Foz do Breu. Aportamos na escadaria frontal à Escola Ernestina Rodrigues Ferreira (09º24’39,4”S / 72º42’56,4”O), às 13h20. Seguindo minha intuição procurei a primeira moradora que avistei, a senhora Iris de Fátima da Silva Souza, coincidentemente, responsável pela escolinha e nora da matriarca que empresta o nome ao estabelecimento e que na década de quarenta foi proprietária de um grande seringal no Rio Breu. A simpática comunidade é formada, em grande parte, por descendentes de Ernestina.

O Marçal usou a cozinha da Escola e preparou um delicioso carreteiro que foi servido às quinze horas. O Coronel Angonese e o Sd Mário pescaram alguns barbados que foram magistralmente preparados e servidos no jantar pelo Marçal. O pessoal da comunidade foi incansável em nos apoiar, seja ajudando no descarregamento da lancha ou na doação de pescado e frutas para nosso consumo.

-  18.12.2012 – Partida para Foz do São João

Acordamos cedo e partimos às sete horas. O Angonese, ainda um neófito na canoagem demonstrou uma coragem e uma determinação invulgar na condução do caiaque “indomável” doado pelo Amigo José Holanda. Remamos oitenta quilômetros até a Comunidade São João situada na foz do Igarapé de mesmo nome (Foz do Igarapé São João - 09º09’15,3”S / 72º40’42,2”O). Quando aportei os nossos guerreiros do Grupo Fluvial do 8º Batalhão de Engenharia de Construção já haviam conseguido autorização para pernoitar nas instalações da Escolinha Calile de Melo Sarah (09º09’21,1”S / 72º40’38,4”O). Como a Escolinha não possuía fogão o Marçal entregou nosso arroz e charque à Srª Raimunda, esposa do Sr. Francisco, e solicitou-lhe que preparasse um carreteiro. Almoçamos às quinze horas e depois fomos até à residência do Sr. Francisco onde permanecemos até escurecer ouvindo e contando causos. O Coronel Angonese, nosso Forrest Gump, é um Contador de Histórias nato e cativou nossos amigos ribeirinhos com seus causos e tiradas espirituosas. À tarde choveu forte e o Juruá acrescentou uns cinquenta centímetros à sua cota.

-  19.12.2012 – Partida para Marechal Thaumaturgo

Apesar de nos encontrarmos em pleno “inverno” amazônico, a chuva não deu as caras. O percurso hoje era mais curto e resolvi fazer apenas uma pequena parada para substituir as pilhas do GPS. O choque das águas contra as margens arenosas fazia tombar enormes barrancos e não raras vezes árvores imensas que eram arrastadas pela forte correnteza misturando-se aos demais entulhos que as águas das chuvas tinham feito romper de seus galhosos sepulcros. Essas massas informes movimentavam-se qual aríete golpeando a esmo e aqui e ali enganchavam-se novamente nas curvas e na vegetação semi-submersa aguardando outra enxurrada para desgarrarem-se e continuarem sua insana sina a procura de incautos navegadores.

Continuei minha navegação sempre preocupado em marcar alguns pontos notáveis que ia vislumbrando pelo caminho. Tais como as fozes dos Rios Acuriá (09º04’25,6”S / 72º41’05,9”O), do Rio Tejo (08º59’02,2”S / 72º42’56,5”O), do Igarapé Arara (08º57’23,6”S / 72º45’38,3”O) e do Igarapé do Crispim (08º57’05,8”S / 72º46’58”O).

Cruzeiro do Sul a Marechal Thaumaturgo


Cruzeiro do Sul a Marechal Thaumaturgo

Hiram Reis e Silva, Marechal Thaumaturgo, Acre, 16 de dezembro de 2012.

Concluída a manutenção das embarcações e feitos os devidos reparos no “Cabo Horn” que apresentava sérias avarias na quilha da proa e no convés de Boreste na altura do “cockpit”. Providenciei o material necessário, fibra, resina, catalisador e o Mário remendou-o de maneira a suportar a nova empreitada.

-  Partida de Cruzeiro do Sul (15.12.2012)

Partimos somente às 06h30, uma navegação por águas desconhecidas com a descida de troncos arrastados pela torrente e imensas praias a pouco submersas pelas águas não recomendavam uma saída às escuras. Desde o início sentimos que o rendimento da lancha “Mirandinha” estava muito aquém do esperado, mas consideramos que era em decorrência da carga e a força da correnteza do Rio Juruá.

Paramos em Rodrigues Alves depois de navegar 26 km e compramos 20 litros de combustível a 80 Reais. Durante a viagem não tivemos maiores imprevistos exceto a falta de rendimento da lancha. Foram 170 km de deslocamento e 170 litros consumidos, o abastecimento em Rodrigues Alves foi providencial, caso contrário teríamos ficado pelo caminho.

Aportamos em Porto Walter para abastecer e pernoitar. Paguei 600 Reais por 150 litros de gasolina sem contar com o óleo dois tempos. Liguei para o “190 pedindo apoio de nossos fiéis amigos da Polícia Militar. Imediatamente o 1º Sargento PM Antonio Vieira da Silva, Comandante do 3º Pelotão de Porto Walter, subordinado ao 6º Batalhão de Cruzeiro do Sul, desencadeou uma verdadeira operação de resgate para nos atender. Mais uma vez, eu e minha equipe, tivemos o privilégio de contar com o apoio destes laboriosos amigos que, independentemente do Estado da Federação a que pertencem, sempre nos receberam com muita cordialidade.

Adquirimos, em Porto Walter, uma nova hélice depois de testá-la e verificar que o rendimento da embarcação havia melhorado sensivelmente. No deslocamento para Marechal Thaumaturgo a velocidade média que era de 18km/h passou para 32km/h com uma queda de 50% do consumo de combustível.

-  Destacamento Mal Thaumaturgo de Azevedo

A viagem transcorreu sem maiores alterações e como no dia anterior eu aproveitei para ir comparando as fotografias aéreas com o terreno. Verifiquei que algumas comunidades importantes simplesmente não constavam dos mapas e outras estavam muito deslocadas do local que lhes era atribuído. Depois de cinco horas de deslocamento sem maiores incidentes aportamos na Foz do Amônea onde contatamos o pessoal do Destacamento.

O Tenente Santiago e o Sargento Wanderley foram incansáveis. Fomos abrigados e alimentados e aguardamos o abastecimento da “Mirandinha” para no dia seguinte partirmos para a Foz do Breu.

Partida para a Foz do Breu


Partida para a Foz do Breu

Hiram Reis e Silva, Cruzeiro do Sul, Acre, 14 de dezembro de 2012.

Alguns amigos mais próximos preocupados com a nossa jornada pelo Vale do Juruá nos indagaram sobre o apoio do Exército à Operação. Queremos deixar bem claro que o alvo de nossas críticas jamais foi a Força Terrestre, instituição a quem prezamos acima de tudo. Meu grito de revolta foi e continuará sendo contra os entraves legais que obstaculizam a realização de expedições como a nossa.

Os Comandantes Militares das mais diversas organizações militares da Amazônia não mediram esforços em nos apoiar apesar das restrições burocráticas e orçamentárias. A disponibilização e o transporte das embarcações envolveram o 2º Grupamento de Engenharia, Manaus, AM, o 8º Batalhão de Engenharia de Construção, Santarém, PA, o 5º Batalhão de Engenharia de Construção, Porto Velho, RO, o 7º Batalhão de Engenharia de Construção, Rio Branco, AC e o 61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS), Cruzeiro do Sul, AC.

O 61º BIS disponibilizou-nos transporte e pessoal para que pudéssemos ultimar todos os preparativos para viagem. O Major Odney de Souza e Silva, Sub-Comandante do 61º BIS (Batalhão Marechal Thaumaturgo de Azevedo), foi incansável em atender às nossas demandas.

-  General de Brigada Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira

Tivemos a grata satisfação de conhecer o General Paulo Sérgio, Comandante da 16º Brigada de Infantaria de Selva, Tefé, AM, que se encontrava na guarnição em visita de inspeção. Tivemos a oportunidade de confraternizar com ele e sua equipe em mais de uma oportunidade e em cada uma delas o Gen Paulo Sérgio fez questão de mencionar nosso trabalho e hipotecar total apoio à Expedição. 

-  Partida para a Foz do Breu (15 de dezembro de 2012)

Depois de dois dias de intensos preparativos que contaram com a manutenção e reparo das embarcações, carregamos os dois caiaques na lancha para evitar o contratempo que sofremos em 2009 no Rio Purus onde um dos caiaques foi danificado seriamente. As rações, combustível, salva-vidas, telefone satelital, enfim todos os itens solicitados foram disponibilizados pelo 61º BIS. Ultimamos os preparativos e voltamos nossa proa rumo a Marechal Thaumaturgo, parada intermediária antes de alcançarmos a Foz do Breu.

Mâncio Lima, AC


Mâncio Lima, AC

Hiram Reis e Silva, Cruzeiro do Sul, Acre, 11 de dezembro de 2012.

Mais uma vez contando com o apoio do Capitão Moura Comandante da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul fomos, desta feita, visitar a Aldeia Barão na Terra Indígena Poyanawas, Município de Mâncio Lima, AC. O Sd PM Magnos Clayton R. Costa foi um excelente guia, conhecedor da região e extremamente prestativo. Na Terra Indígena notamos uma saudável miscigenação e a existência de belos roçados que produzem, segundo os nativos, a melhor mandioca da Brasil.

Conheça um pouco da história e costumes do Povo Poyanawas através da excelente reportagem do repórter Leandro Altheman Lopes:

Dimanã Êwê Yubabu: Floresta, Casa de Todos Nós

Visitamos o local onde são realizados os “Jogos da Celebração”, que, normalmente duram cinco dias e contam com a participação de aproximadamente 400 indígenas, de quinze etnias do Estado com o objetivo de valorizar a diversidade cultural e de procurar repassar para a sociedade acreana o conhecimento ancestral de seus povos.

-  Histórico de Mâncio Lima

Mâncio Lima nasceu de um povoado denominado “Vila Japiim”, elevada em 1913 pelo Capitão Regos Barros. Japiim pássaro de plumagem preta e amarela muito comum na região do Vale do Juruá. (...) Só em 14 de maio de 1976 foi assinada a Lei nº 588, que elevou oficialmente Mâncio Lima a categoria de município. Mas, apenas em 30 de maio de 1977 – Mâncio Lima conquistou sua autonomia e emancipação com a posse do primeiro Prefeito.

O município está localizado às margens direitas do Paraná Japiim, perfazendo uma área de 5.451,1 Km2 que se estende a 30 Km da foz do Rio Moa, após aproximadamente um quilômetro de restinga, na região Norte do Brasil, extremo oeste da Amazônia e no ponto mais Ocidental do País. Limita-se com os municípios de Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves e com a República do Peru. Está diretamente ligado aos dois municípios, pela BR 364, totalmente pavimentada, numa distância de 36 Km de Cruzeiro do Sul e aproximadamente 30 Km de Rodrigues Alves, sendo também o mais distante da Capital a 700 Km de distância e seu acesso pode ser feito por via área e em alguns meses do ano por via terrestre em precárias condições.

Mâncio Lima conta ainda com o Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD) que é o quarto maior parque nacional do país, possuindo uma área de aproximadamente 843.000 há. (...)

O município de Mâncio Lima possui três reservas indígenas: a dos Poyanawas que possui uma população de 403 pessoas, a língua falada é o Pano e sua extensão por hectares é de 21.214 a situação jurídica da mesma é declarada; os Nukinis possuem um população de 425 pessoas, a língua falada também é o Pano a sua extensão por hectares é de 27.264 e sua situação jurídica já está registrada; os Nauas, estão passando por um processo de reconhecimento, já foi realizado um estudo por uma antropóloga e o processo está sendo estudado, até então os mesmos não são reconhecidos como índios Nauas. (...)

A última contagem populacional realizada em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico – IBGE mostra em Mâncio Lima uma população de 13.753 habitantes residentes na área do município. (...)

O município de Mâncio Lima desde os seus primórdios é agrícola. Tendo como cultura a mandioca, milho, arroz e feijão..., com grande escala das áreas exploradas (beneficiada), com a mandioca onde predomina a produção de farinha.

A sede do município é atendida com energia elétrica, de fornecimento contínuo e telefonia fixa e móvel. O município tem um potencial muito grande para o artesanato local, sendo ainda deficiente por não contar de um apoio mais aprofundado nesta área. (...)

/o:p>| � a > �?2 �?&

Pensei, novamente, no lema de meu velho amigo – Gen Ex Joaquim Silva e Luna – e parti para a ofensiva. Contatei empresários e autoridades locais de modo a viabilizar a vinda dos caiaques e da voadeira e o fornecimento de combustível para a equipe de apoio. Só depois resolvi falar com o General Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, Comandante Militar da Amazônia (CMA), e o General de Divisão Jorge Ernesto Pinto Fraxe, Diretor do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT). Felizmente a experiência, patriotismo e boa vontade destes dois grandes Generais, modelos de liderança de nossa querida Força Terrestre, afastaram de vez as brumas que toldavam o horizonte e pouco a pouco pude vislumbrar a “Terceira Margem”.

-  Terceira Margem!
    (6 de dezembro de 2012)

Nas tuas águas afogo meus desesperares, meus desencantos, meus amores sofridos. No aconchegante embalo de tuas ondas encontrei forças para perseverar e enfrentar minhas angústias e meu desânimo. Tua imensidão me abraça e conforta, tuas tranquilas águas me acalmam e me aproximam da Terceira Margem. Tuas águas revoltas mostram a rota da humildade que devo seguir e a névoa que te cobre nas manhãs de inverno trazem sinais de esperança nos horizontes que aos poucos se revelam. (Hiram Reis e Silva)

Os amantes das águas entenderão, certamente, minhas palavras. Aqueles que as enfrentaram na tormenta ou sobre elas deslizaram na calmaria sabem o quanto elas podem nos ensinar. Busquei forças nelas para dar continuidade a meu desafio, para não esmorecer, pois acredito na minha missão “auto-imposta” de mostrar a realidade amazônica sem a visão distorcida dos pesquisadores, ambientalistas, indigenistas e outros tantos teóricos de laboratório.

-  8ºBatalhão de Engenharia de Construção (8 º BEC)
    (7 de dezembro de 2012)

Há mais de dois anos, o 8º BEC tem apoiado o Projeto Desafiando o Rio-mar. Desta feita o Tenente-Coronel Sérgio Henrique Codelo além de transportar e colocar à disposição uma voadeira de apoio permitiu que dois membros de seu Grupo Fluvial participassem da Expedição. Às 13h30, de 7 de dezembro, desembarcaram em Cruzeiro do Sul os valorosos nautas Mário Elder Guimarães Marinho e Marçal Washington Barbosa Santos. Já comentei em artigo as qualidades destes dois combatentes por isso, para abreviar o presente artigo, vou apenas disponibilizar o link para aqueles que não ainda não o leram:

-  Ponte da União

A cidade tem diversos pontos turísticos, mas o que mais nos chamou a atenção foi a Ponte da União. A ponte estaiada do Juruá é maior ponte do Acre, com 550 metros de extensão e foi construída com recursos dos Governos Estadual e Federal. Tendo em vista o Alto Juruá fazer parte de uma região com alto índice de sismos a ponte é a única no Brasil que possui uma estrutura preparada para suportar este abalos. A iluminação da ponte, projetada pela arquiteta Jamile Torman, é refletida magicamente nas águas do Rio Juruá. A bandeira do Acre fixada no marque central de 70 metros de altura também recebeu uma iluminação especial.

O Rio Juruá adornado por esta joia da engenharia ficou mais belo ainda encantando a todos com suas águas revoltas, tortuosas e tumultuárias que fluem vigorosamente para a margem direita do Solimões.

A Terceira Margem!


A Terceira Margem!

Hiram Reis e Silva, Cruzeiro do Sul, Acre, 08 de dezembro de 2012.

Desembarcou aqui como passageiro comum entre tantos que procuram a Terceira Margem do Rio entre o Céu e a Terra. (Wilson Nogueira)

-  7º Batalhão de Engenharia de Construção (7º BEC), Rio Branco, AC
    (1º a 5 de dezembro de 2012)

Pisando, pela primeira vez, o viril solo acreano minha memória, madrugando no passado, perpassou pela epopeia acreana relembrando o vulto épico de Plácido de Castro que liderou esta raça de leões permitindo-lhes possuir um “bem conquistado nobremente com armas na mão”. Naveguei pelo Rio Purus ao lado do imortal Euclides da Cunha e no Juruá acompanhei o deslocamento do determinado Coronel Belarmino Mendonça, admirei-me com a altivez e patriotismo do Coronel Thaumaturgo de Azevedo e a serenidade e a coragem do Capitão Francisco D’Ávila que investiu contra o Posto Militar e aduaneiro peruano ilegalmente instalado à Foz do Amônea.

Ao penetrar no aquartelamento do 7º BEC novamente minha mente foi invadida pelas lembranças pretéritas do General Rodrigo Octávio (RO), “The Right Man in The Right Place” (O Homem Certo, no Lugar Certo) que encarou, sem esmorecer, os desafios ciclópicos propostos pelo “Programa de Integração Nacional” elaborado no governo do eminente Presidente Emílio Garrastazu Médici. O General RO selecionou uma tropa de elite para dar cumprimento às ordens do Presidente e um destes militares, meu caro amigo e mestre, Tenente-Coronel Eng Lauro Augusto Andrade Pastor Almeida foi nomeado primeiro Comandante da Unidade mais Ocidental da gloriosa Engenharia Militar Brasileira – o 7º BEC.

Fomos recebidos com a costumeira cortesia azul-turquesa pelo seu Sub-Comandante Major Frank Alves Nunes, já que o seu Comandante TCel Eng José Luiz de Araújo dos Santos não se encontrava na cidade. O apoio recebido permitiu-nos dar início à Fase que antecede a descida do Juruá propriamente dita. O Major Frank providenciou, mais tarde, o transporte das embarcações de Porto Velho, RO, para Cruzeiro do Sul, AC, aproveitando o deslocamento de um caminhão que retornava de Humaitá, AM, para Rio Branco, AC.

-  Polícia Militar do Estado do Acre

Aproveitamos nossa estada, em Rio Branco, para conhecer a cidade, o artesanato local, realizar pesquisas em bibliotecas e livrarias, além de contatar autoridades que pudessem nos proporcionar algum tipo de suporte ou informações à expedição pelo Rio Juruá. Visitamos o Quartel da Polícia Militar do Estado do Acre, e reportamos ao seu Comandante Coronel PM José dos Reis Anastácio detalhes da Expedição General Belarmino Mendonça. O Coronel Anastácio hipotecou-nos total apoio e prontamente comunicou-se com o Comandante em exercício do Batalhão da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul, Capitão PM Lázaro Moura de Negreiros para que esse nos apoiasse.
   (5 a 9 de dezembro de 2012)

O Capitão Moura foi incansável e graças a seu apoio conseguimos contatar autoridades, jornalistas, empresários e personalidades interessantes da região. A fidalguia deste novo amigo foi muito além das formalidades de estilo. Moura fez questão de nos mostrar a cidade pessoalmente levando-nos aos lugares mais badalados de Cruzeiro do Sul em companhia de sua simpática família e no sábado sua querida esposa Eliana e o filho proporcionaram-nos um “tour” pela cidade e arredores. Mais uma vez a Amazônia brinda-nos com momentos extremamente agradáveis graças à hospitalidade modelar de um de seus dignos representantes.

-  61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS)
    (5 de dezembro de 2012)

Fomos recebidos pessoalmente no Aeroporto de Cruzeiro do Sul, AC, pelo Sub-Comandante do 61º BIS (Batalhão Marechal Thaumaturgo de Azevedo), Major Odney de Souza e Silva, que nos encaminhou para o Hotel de Trânsito do Batalhão. Informamos ao Comando Militar da Amazônia nossa chegada e fomos surpreendidos com a reviravolta que havia sofrido o Projeto. Só então fomos informados que não haviam recursos para apoiar a descida do Juruá e que as embarcações que se encontravam no 5º BEC, Porto Velho, RO, lá permaneceriam. As funestas notícias prenunciavam uma descida solitária na minha mais longa jornada Amazônica.

-  Prossiga na Missão!

Pensei, novamente, no lema de meu velho amigo – Gen Ex Joaquim Silva e Luna – e parti para a ofensiva. Contatei empresários e autoridades locais de modo a viabilizar a vinda dos caiaques e da voadeira e o fornecimento de combustível para a equipe de apoio. Só depois resolvi falar com o General Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, Comandante Militar da Amazônia (CMA), e o General de Divisão Jorge Ernesto Pinto Fraxe, Diretor do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT). Felizmente a experiência, patriotismo e boa vontade destes dois grandes Generais, modelos de liderança de nossa querida Força Terrestre, afastaram de vez as brumas que toldavam o horizonte e pouco a pouco pude vislumbrar a “Terceira Margem”.

-  Terceira Margem!
    (6 de dezembro de 2012)

Nas tuas águas afogo meus desesperares, meus desencantos, meus amores sofridos. No aconchegante embalo de tuas ondas encontrei forças para perseverar e enfrentar minhas angústias e meu desânimo. Tua imensidão me abraça e conforta, tuas tranquilas águas me acalmam e me aproximam da Terceira Margem. Tuas águas revoltas mostram a rota da humildade que devo seguir e a névoa que te cobre nas manhãs de inverno trazem sinais de esperança nos horizontes que aos poucos se revelam. (Hiram Reis e Silva)

Os amantes das águas entenderão, certamente, minhas palavras. Aqueles que as enfrentaram na tormenta ou sobre elas deslizaram na calmaria sabem o quanto elas podem nos ensinar. Busquei forças nelas para dar continuidade a meu desafio, para não esmorecer, pois acredito na minha missão “auto-imposta” de mostrar a realidade amazônica sem a visão distorcida dos pesquisadores, ambientalistas, indigenistas e outros tantos teóricos de laboratório.

-  8ºBatalhão de Engenharia de Construção (8 º BEC)
    (7 de dezembro de 2012)

Há mais de dois anos, o 8º BEC tem apoiado o Projeto Desafiando o Rio-mar. Desta feita o Tenente-Coronel Sérgio Henrique Codelo além de transportar e colocar à disposição uma voadeira de apoio permitiu que dois membros de seu Grupo Fluvial participassem da Expedição. Às 13h30, de 7 de dezembro, desembarcaram em Cruzeiro do Sul os valorosos nautas Mário Elder Guimarães Marinho e Marçal Washington Barbosa Santos. Já comentei em artigo as qualidades destes dois combatentes por isso, para abreviar o presente artigo, vou apenas disponibilizar o link para aqueles que não ainda não o leram:

-  Ponte da União

A cidade tem diversos pontos turísticos, mas o que mais nos chamou a atenção foi a Ponte da União. A ponte estaiada do Juruá é maior ponte do Acre, com 550 metros de extensão e foi construída com recursos dos Governos Estadual e Federal. Tendo em vista o Alto Juruá fazer parte de uma região com alto índice de sismos a ponte é a única no Brasil que possui uma estrutura preparada para suportar este abalos. A iluminação da ponte, projetada pela arquiteta Jamile Torman, é refletida magicamente nas águas do Rio Juruá. A bandeira do Acre fixada no marque central de 70 metros de altura também recebeu uma iluminação especial.

O Rio Juruá adornado por esta joia da engenharia ficou mais belo ainda encantando a todos com suas águas revoltas, tortuosas e tumultuárias que fluem vigorosamente para a margem direita do Solimões.