MAPA

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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Missão dada é Missão Cumprida!


Missão dada é Missão Cumprida!

Hiram Reis e Silva, Rio Branco, Acre, 06 de dezembro de 2012.

É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota. (Theodore Roosevelt)

-  Descida do Juruá

Quando aceitamos o grande Desafio de descer o mais sinuoso Rio do Planeta – o Rio Juruá – desde a Foz do Breu na fronteira peruana até Manaus reconhecendo também uma extensão de 50 a 400 km dos principais afluentes de sua Bacia, colocamos como impositivos dois pontos:

-  Passarmos à disposição do Comando Militar da Amazônia (CMA) pelo período de 13 meses;

-  Conseguirmos recursos institucionais para viabilizar uma complexa expedição a remo numa extensão de aproximadamente 5.000 km nestes ermos sem fim.

O CMA imediatamente viabilizou nossa primeira pretensão, a segunda, porém, esbarrou em um bastião quase intransponível – a Burocracia da máquina pública tão assolada por desvios e irregularidades. Apesar da extrema boa vontade dos titulares de todas as organizações consultadas não se conseguiu vencer os óbices legais. Contando com estes recursos adquirimos equipamentos eletrônicos necessários para realizar um reconhecimento de engenharia da Bacia Juruá, visando:

a)       corrigir distorções dos Mapas do IBGE e Multimodais do DNIT no que se refere à localização e/ou denominação de Comunidades Ribeirinhas e da fisiografia (Ilhas, Rios, igarapés, Lagos...);

b)       verificar as condições dos Portos Hidroviários e se os mesmos atendem à demanda atual;

c)        verificar a necessidade de implementação de alterações nos projetos dos Portos Hidroviários existentes;

d)       verificar a necessidade da construção de novos Portos Hidroviários;

e)       identificar possíveis obstáculos à navegação e apontar as medidas necessárias à sua remoção;

f)         Apresentar ao final da expedição um relatório detalhado das observações realizadas e apontar as medidas a serem adotadas.

As despesas decorrentes dos equipamentos adquiridos e do deslocamento de uma equipe, mesmo sob regime espartano, durante cinco ou seis meses percorrendo tortuosos meandros de um curso d’água em uma região bastante agreste e desabitada são consideráveis.

-  Sina de um Bandeirante

Ser bandeirante é deixar atrás a casa e família, o bem estar e a segurança, para perseguir o sonho e tentar a casa da glória, é viver silencioso e otimista na brenha onde não há rumos, no campo onde não há divisas, estremecer às vezes de febre, mas nunca tremer de medo, é sofrer com alegria o sol dos chapadões e resistir sem queixa nos aguaceiros de dezembro, é combater no varejo as cachoeiras e investir, de simples facão à cinta, contra a floresta. (Gofredo T. da Silva Teles)

Infelizmente, os recursos esperados ainda se encontram na fase da promessa, o caiaque e a “voadeira” de apoio ainda não chegaram a Cruzeiro do Sul, AC, estão armazenados no 5º BEC, em Porto Velho, RO. Decidimos, ainda assim, encarar o desafio de qualquer maneira mesmo levando em conta as dificuldades adicionais proporcionadas pela falta de aporte financeiro. Vamos tentar buscar suporte junto às autoridades de Cruzeiro do Sul, quem sabe? Se não conseguir pagarei o transporte das embarcações para Cruzeiro do Sul de meu próprio bolso como fiz com as passagens da equipe de apoio, o que mais se pode fazer?

As dificuldades da prestação de contas de Expedição exploratórias por lugares remotos deveriam encontrar o devido amparo em Lei. Como posso exigir de um ribeirinho a Nota Fiscal de um cacho de banana ou de um bocado de farinha produzida no seu roçado? Como proceder ao adquirir o combustível na barranca do Rio ou pagar o conserto do equipamento danificado?

A impossibilidade de prestar contas de despesas sem documentos que as comprovem foi, desde o início, o grande embaraço que impediu que recebemos os recursos prometidos. Felizmente conseguimos, mais uma vez o apoio de velhos e novos investidores que minimizaram, um pouco, nossa angústia.

É interessante observar que as pessoas se surpreendem com nossas infindas jornadas pelos imensos caudais amazônicos sem se dar conta de que a fase mais difícil, mais complexa e que exige mais esforço é a que antecede a expedição. Afastar-me por cinco ou seis meses de casa deixando uma esposa acamada que necessita cuidados especiais 24 horas por dia, falta de recursos financeiros, dificuldade para o transporte das embarcações e tantos outros itens que não cabe aqui enumerar representam, sem dúvida a fase mais estressante da jornada.

A era das Expedições e das Bandeiras parece ter findado. Minha aflita alma de desbravador sente uma dor infinda. Poderíamos hoje reverenciar a memória de tantos naturalistas e pesquisadores de outrora se estes encontrassem idênticas dificuldades pecuniárias? Teriam os Chefes das Comissões de Limites de outrora, Barão de Tefé, Thaumaturgo de Azevedo, Cunha Gomes e tantos outros conseguido cumprir sua missão se precisassem realizar licitações para comprar ou consertar seus equipamentos e embarcações ou adquirir gêneros para sua tropa? Teria nosso grande Marechal da Paz – Candido Mariano da Silva Rondon – conseguido implantar milhares de quilômetros de linhas telegráficas se estivesse sujeito à lei das licitações? Como aperfeiçoar a cartografia atual sem perambular pelos ermos sem fim onde não se usa a tal da Nota Fiscal?

Alguns desavisados sustentam que a tecnologia substituirá definitivamente o trabalho de campo. Ledo engano, a nomenclatura e a localização exata dos acidentes naturais e das povoações precisam ser confirmadas “in loco”. Encontrei, nas minhas longas jornadas fluviais, comunidades a mais de doze quilômetros do local marcado nos mapas do IBGE e DNIT. Aos céticos eu convido a verificar pessoalmente a cidade de Tamaniquá, margem direita do Solimões, sete quilômetros a jusante da Foz do Rio Juruá que nos mapas está representada a montante da dita boca ou ainda a denominação do Rio Jaquirana como Javari. Vide: http://www.correaneto.com.br/site/espaco/32207

Por isso nossos mapas institucionais apresentam tantas falhas. Como aperfeiçoá-los se não se consegue equacionar estes intermináveis problemas burocráticos. Uma equipe pequena com equipamentos relativamente simples pode corrigir esses erros, percorrendo trilhas e rios e entrevistando a população local, mas parece que ao governo só interessam projetos de alto custo desde que possam justificar seus gastos dentro das normas legais.

-  Expedição Roncador Xingu

Como era diferente no século passado. Nossos novos bandeirantes eram prestigiados e recebiam o apoio de um governo cujos olhos miravam o porvir e eram aplaudidos por uma sociedade esclarecida e engajada.

Vejamos o caso da Expedição Roncador Xingu cuja partida revestiu-se de toda pompa e circunstância:

Benção da Bandeira Nacional (07.08.1943)
Fonte: O Estado de São Paulo

Numa evocação do São Paulo muito antigo, do São Paulo dos séculos XVII e XVIII, dos bandeirantes que daqui partiam para o alargamento das nossas fronteiras, realizou-se na manhã de ontem, na Basílica de São Bento, uma significativa cerimônia junto ao túmulo de Fernão Dias Pais Leme. (...) Manhã de inverno bandeirante, como que propositadamente encomendada para a evocação da época de Fernão Dias, de Borba Gato, de Anhanguera: e de outros tantos destemidos filhos de São Paulo. A Basílica de São Bento, repleta. Pessoas das mais representativas estiveram presentes a cerimônia da benção do Pavilhão Nacional que seria entregue ao Tenente-Coronel Mattos Vanique, chefe da Expedição Roncador-Xingu. (...) Após a missa solene, celebrada no altar-mor da Basílica, foi iniciada a cerimônia junto ao túmulo de Fernão Dias Pais Leme, onde se encontrava o Pavilhão brasileiro que damas da sociedade paulistana ofereciam ao Tenente-coronel Vanique, para levar à expedição que, a exemplo das antigas bandeiras paulistas, seguirá para a região do Roncador-Xingu. O Pavilhão foi benzido por Domingos de Silos, o que fez uso da palavra o Sr. Gofredo T. da Silva Teles. (...) Depois da locução a senhora Raquel Simonsen passou o pavilhão nacional às mãos do Tenente-Coronel Mattos Vanique. Manifestou-se, então, o Ministro João Alberto afirmando que aquela bandeira haveria de ser honrada, uma vez que seria guardada por mãos de homens fortes bravos, que partiam para o sertão com o intuito de elevar cada vez mais alto o nome de nossa pátria. O Tenente-Coronel Mattos Vanique encerrou a cerimônia agradecendo a bandeira ofertada pelas damas paulistas.


-  Prossiga na Missão! (Gen Ex Silva e Luna)

Há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam! (Henry Ford)

O desânimo começava a querer tomar conta de todo o meu ser quando do longínquo pretérito uma voz tonitruante vociferou – Prossiga na Missão! Aqueles que me conhecem sabem que desistir nunca fez parte do meu cotidiano. Se for necessário descerei sozinho os quase 5.000 km que separam a Comunidade da Foz do Breu, AC, na fronteira com o Peru, de Manaus, AM.

'>$ � / p �?2 �?& de agosto: Instalava-se em Penapólis uma agência dos correios.

1912

3 de outubro: Por ato do Prefeito Departamental Deocleciano Coelho de Souza Penápolis e “Empreza” passam a se chamar Rio Branco.

1913

7 de maio: É instalada uma estação de Rádio Telegrafia, tirando os acreanos do isolamento total.
13 de junho: É criada uma nova organização ao território, razão da qual é instalado oficialmente o Município de Rio Branco.

1914

7 de janeiro: Primeiras eleições municipais.

1915

1º de maio: É inaugurado o primeiro grupo escolar da cidade.

1916

13 de maio: Inaugurado o serviço de luz elétrica.

1920

1º de outubro: Território do Acre - extinção do departamento e unificação dos municípios em torno de um só governo, Rio Branco é escolhida a capital do Território do Acre.

1962

15 de junho: A Lei 4070 – eleva o Território do Acre à categoria de Estado.

Fontes:

ANDRADE, Fernando Moretzsohn de; GUIMARÃES, André Passos. ACRE. In: Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopædia Britannica do Brasil Publicações, 1993.

MEIRA, Sílvio de Bastos. A Epopeia do Acre - Brasil - Rio de Janeiro, 1961 - Ed. Record.

Rio Branco, Acre – Parte II


Rio Branco, Acre – Parte II

Hiram Reis e Silva, Rio Branco, Acre, 07 de dezembro de 2012.

É um dever sacrossanto manter vivas no pensamento figuras do porte de Francisco Mangabeira que, pelo seu talento, sua bravura, seus relevantes serviços prestados ao Brasil, deixou de se pertencer para pertencer ao mundo! (KALUME)

Hino do Acre
Letra do Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira e música de Mozart Donizeti.


I
Que este sol a brilhar soberano
Sobre as matas que o vêem com amor
Encha o peito de cada acreano
De nobreza, constância e valor...
Invencíveis e grandes na guerra,
Imitemos o exemplo sem par
Do amplo Rio que briga com a terra,
Vence-a e entra brigando com o mar.

Estribilho

Fulge um astro na nossa bandeira,

Que foi tinto com sangue de heróis

Adoremos na estrela altaneira

O mais belo e o melhor dos faróis

II
Triunfantes da luta voltando,
Temos n'alma os encantos do céu
E na fronte serena e radiante
O imortal e sagrado troféu,
O Brasil a exultar acompanha
Nossos passos, portanto é subir,
Que da glória a divina montanha
Tem no cimo o arrebol do porvir.


III
Possuímos um bem conquistado
Nobremente com armas na mão
Se o afrontarem, de cada soldado
Surgirá de repente um leão.
Liberdade é o querido tesouro
Que depois do lutar nos seduz
Talo o Rio que rola, o sol de ouro
Lança um manto sublime de luz.

IV
Vamos ter como prêmio da guerra
Um consolo que as penas desfaz,
Vendo as flores do amor sobre a terra
E no céu o arco-íris da paz.
As esposas e mães carinhosas
A esperar-nos nos lares fiéis
Atapetam a porta de rosas
E, cantando, entretecem lauréis.

V
Mas se audaz estrangeiro algum dia
Nossos brios de novo ofender,
Lutaremos com a mesma energia
Sem recuar, sem cair, sem temer
E ergueremos então destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil.


-  Um Hino de Bravos

Que o bairrismo extremamente acirrado de meus conterrâneos gaúchos me perdoe, mas o mais belo Hino dos estados brasileiros é sem dúvida o Hino do Acre um canto de titâs, um hino  vibrante e viril regido pela honra e pela glória e salpicado por notas de coragem e desassombro. Quem, como eu, já teve a oportunidade de ouvi-lo e senti-lo há de concordar plenamente como que digo.

O Hino foi composto, no dia 5 de outubro de 1903, no Seringal Capatará, situado acima do Igarapé Distração, na cidade de Rio Branco, em um acampamento onde Plácido de Castro estabelecera o Quartel-General do seu exército, pelo médico e poeta baiano Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira que prestava atendimento à tropa. A música, por sua vez, foi criada pelo maestro amazonense Mozart Donizeti que conhecia perfeitamente a realidade e historicidade da região, pois residira nas cidades de Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

-  Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira
    Fonte: Isaac Melo - Francisco Mangabeira: Um Poeta Baiano Na Revolução Acreana

O paquete São Salvador havia deixado o porto de Manaus na manhã de 22 de janeiro de 1904. Em um de seus camarotes, o de número 40, estava instalado um jovem médico de apenas vinte e cinco anos. No corpo agonizava as dores do impaludismo e no peito, a saudade de sua terra e de sua gente. (...)

Chegara o dia 27

(...) O sol dos trópicos a tudo abraçava, abrasava e acariciava com suas mãos fulgurantes. Porém, no camarote 40, ainda havia noite e havia frio. (...) Às duas horas da tarde desfalecia um dos mais festejados poetas, à época, e um dos grandes nomes da poesia do final do século XIX, cuja vida foi marcada pelo sonho e pela ousadia, pelo amor e pela aventura, sendo sua obra exaltada e comparada à de Castro Alves.

A Vida

Francisco Cavalcante Mangabeira era o sétimo filho do casal Francisco Cavalcante Mangabeira, um farmacêutico alagoano, e Augusta Mangabeira. (...) Não havia completado ainda dez anos quando perdeu a mãe. Isso o marcou profundamente. Desde então ficara sob os cuidados permanentes de uma senhora, Sinhá Joaquina, ou Quinquinha como ele a chamava, contratada pelo pai, a quem o menino muito se afeiçoou e que exerceria grande importância em sua vida.

A Escola

Foi no Colégio Marquês de Santa Cruz, aos seis anos de idade, a primeira vez que o menino fora a escola. (...) A escola, depois da morte do administrador, um velho padre, fechara as portas. Fora então matriculado, juntamente com seus irmãos, no Colégio Malhado. O menino não gostara daí, um ambiente perturbador e bagunçado para uma alma quieta e solitária. O pai então os matricula no Colégio Pedro II, onde ele alcança grandes progressos, porém, pouco depois tem que deixá-lo devido o agravamento da doença de sua mãe, que morreria pouco tempo depois. Ao retornar, conclui, no mesmo colégio, os três preparatórios principais. No ano seguinte, 1889, ingressa no Liceu Provincial, para finalmente concluir as matérias fundamentais no Instituto Oficial de Ensino Secundário. É quando integra o Grêmio Evolução, sendo um dos mais jovens integrantes do grupo. Aí começa o pendor do jovem para poesia. Está com cartoze anos.

A Medicina, 1894

Aos quinze anos Francisco matricula-se, por livre vontade, na tradicional Escola de Medicina da Bahia, fato que causou surpresa, sobretudo, a seus familiares. O primeiro ano fora entediante e difícil para alguém que estava destinado a cuidar do males da alma, não do corpo. Dedicara-se apaixonadamente à literatura, enquanto nem sequer pegara em um livro específico de seu curso. (...) Quer desistir. Então, o velho Mangabeira obriga-o a fazer os exames finais. É aprovado. No ano seguinte, no entanto, é reprovado. Todavia, é o ano em que começa a projetar-se e a ganhar fama de poeta, depois que o crítico e escritor riograndense, Múcio Teixeira, publica alguns entusiásticos artigos, na Bahia e no Rio de Janeiro, apresentando-o aos leitores como “um novo poeta baiano”. Das angústias desse ano surgirá a obra-prima do poeta.

Canudos

(...) Fora outra surpresa para a família Mangabeira quando receberam a notícia de que o jovem poeta, juntamente com seu irmão, estava pronto para partir com destino a Canudos, o que, de fato, ocorrera no dia 27 de julho de 1897. Cursava, então, o terceiro ano de medicina, e partira com um grupo formado por 24 estudantes, a integrar a famosa Brigada Girard, comandada pelo General Artur Oscar, para servir nos hospitais de sangue. (...)

Dessa experiência surgirá um dos mais belos textos em versos, senão o mais, acerca de Canudos, o equivalente ao que foi o de Euclides para a prosa. (...) Canudos fizera o poeta rever seu compromisso com os estudos. Tornara-se dedicado e, assim, em 18 de dezembro de 1900, defendendo a tese “Impedimentos de casamento relativos ao parentesco” fora aprovado e diplomado em medicina.

A Profissão

(...) Dirigiu-se então para o Maranhão, no dia 16 de março de 1901, onde fora contratado para trabalhar como médico da Companhia Maranhense de Navegação, que realizava o trajeto entre Bahia e São Luis. Mas aí permanecera pouco tempo. (...) O Amazonas, a pátria das águas, o seduzira como se tivesse ouvido o canto irresistível das iaras. E para o Amazonas partira. Aí é contratado pelo governo amazonense para servir em comissões de saúde pelo interior, a percorrer “todo aquele mundo de rios, de florestas sem fim, exercendo a sua profissão em comissões pelos rios Negro, Juruá, Javari, Madeira, Purus...”. Porém, apegado que era ao pai, aos irmãos e irmãs, a saudade novamente viera abrigar-se em seu peito. Não resistiu aos apelos. E assim retornara à Bahia, ao aconchego dos seus, ao findar de dezembro de 1902.

O Acre e a Revolução

Algo inquietava o poeta, mesmo estando em meio ao aconchego de seus familiares e de sua terra. Quando estivera em Manaus ouvira falar muitas vezes dos acreanos e sua revolução. (...) Comentara o poeta, em carta, assim a um amigo:

Nada posso afirmar de novo sobre o Acre, enquanto para lá não partir! O que ainda não fiz por falta de vapores”.

(...) O sobrinho biógrafo, Paulo Mangabeira-Albernaz, diz acerca do sonho de seu tio:

“Nada o conseguira prender: nem a saudade inexpremível, nem o amor imensurável à terra do berço, nem a própria felicidade! O apelo do Acre vencera tudo!”

E assim parte o poeta para Manaus, em abril de 1903, com destino ao Acre.

Em Manaus, onde já era muito estimado, o poeta partilhara com seus amigos o sonho que acalentava de ir para o Acre. (...) Imperava a máxima de que poucos sobreviviam ou retornavam do Acre: local de difícil acesso, isolado e empestado de doenças tropicais e, agora, em guerra. (...) Porém, nada dissuadia o poeta de seu firme propósito. De modo que, no dia 28 de maio de 1903, no navio Amazonense, como médico do 40º Batalhão de Infantaria, comandado pelo Coronel Valadares, partia ao encontro de seu bem amado, o Acre. (...) em 02 de junho, encontrara pela primeira vez o chefe da Revolução, Plácido de Castro, que descia a Manaus depois que o General Olímpio da Silveira havia destituído o exército acreano. Ficara impressionado com o caudilho:

“E então, pareceu-me que, ao brilho de energia extraordinária e impressionadora de seu semblante, ele crescia, e seu capacete se tornava de bronze e seu peito se recobria de aço”.

As águas baixaram drasticamente e, à boca do Pauini, o Amazonense não pode seguir adiante. O poeta prosseguiu, então, em pequenas lanchas, em canoa a varejão e, por fim, a pé, em varadouros por entre a mata:

“A viagem a pé, quando havia um guia, era suportável, mas às vezes, era feita sem um mateiro, e imaginem 40 homens no mato, seguindo um trilho que de repente se bifurca, e mais adiante dava numa estrada de seringueiro de onde partiam três ou quatro caminhos! Uma vez andamos oito horas perdidos no mato e, para aumentar a aflição, uma chuva torrencial desabou sobre nossas cabeças”.

A viagem fora uma epopeia. Mas, finalmente, chegara ao seringal Empresa, onde estava acampado o 27º Batalhão de Infantaria. Era agosto de 1903.

Hino acreano

Em 21 de março de 1903, o governo brasileiro, por meio do grande diplomata Barão do Rio Branco, juntamente com o governo boliviano assinaram um acordo de “modus vivendi”. Os bolivianos já haviam se rendido ao exército de Plácido. Cessara a luta no fronte, a batalha agora era no campo da diplomacia. O Acre encontrava-se politicamente dividido em duas administrações: Meridional, sob o comando de Plácido de Castro, e Setentrional pelo Governo militar de Cunha Matos. Por duas vezes, como assevera o historiador Leandro Tocantins, o Barão do Rio Branco sugeriu ao Governo de La Paz, e este concordou, a extensão do prazo do “modus vivendi”, de 21 de julho até 21 de outubro. A ansiedade tomava conta de todos. Qual seria afinal o resultado dessas discussões diplomáticas? Que acordo seria firmado?

Enquanto isso, Plácido de Castro organizava seu exército em pontos estratégicos do Acre Meridional, pronto para nova luta conforme o resultado das confabulações diplomáticas entre os dois países. No seringal Capatará estava assentado o Quartel-General de Plácido. Ao fundo do barracão erguiam-se as barracas de lona, a alojar os soldados. Numa delas está Francisco Mangabeira. Desde que cessara os combates aí passara a atender os feridos da guerra e à população ribeirinha que o procurava. É nesse ambiente, impressionado pela natureza, pelo ideal de liberdade, pelos combates e pelo sentimento da terra que o jovem poeta comporá, em 05 de outubro de 1903, o magnífico poema que se tornará o Hino Acreano.

Aproximava-se o término do “modus vivendi”. O poeta encontrava-se, com a tropa, acampado em Boa Fé. Estavam irriquietos e decididos: ou o Acre seria do Brasil, ou recomeçaria a luta. A tropa, a 21 de outubro, fora reunida diante do mastro do qual pendia a bandeira acreana. Conta, em carta, Francisco Mangabeira:

“A meio dia, pouco mais ou menos, reunida a oficialidade, resolve-se mandar imediatamente cem homens para o Gavião. Antes disso, porém, com uma cerimônia tocante, foi lido o Hino do Acre”.

Pela voz do próprio poeta pela primeira vez o Hino Acreano percorria as matas e o coração daqueles caboclos titânicos, num misto de alegria e esperança. O resultado das confabulações diplomáticas e, consequentemente, a incorparação do Acre ao Brasil só veio um mês depois, a 17 de novembro, quando em Petrópolis, com a genialidade diplomática do Barão do Rio Branco, fora assinado o Tratado de Petrópolis. Mangabeira tentara o máximo permanecer em solo acreano depois do término da Revolução. Porém, caira gravemente enfermo, e fora levado nos braços, no último dia de dezembro de 1903, até a embarcação que o conduziria a Manaus, aí chegando dia 10 de janeiro de 1904. Findava o sonho acreano do poeta da mesma forma que se aproximava o seu fim.

Fontes:

- ALBERNAZ, Paulo Mangabeira. Francisco Mangabeira: sonho e aventura. Campinas: Livraria M. Teixeira, s/d.
- KALUME, Jorge. Francisco Mangabeira: médico, poeta e herói. Brasília: Gráfica do Senado, 1981.

Rio Branco, Acre – Parte I


Rio Branco, Acre – Parte I

Hiram Reis e Silva, Rio Branco, Acre, 04 de dezembro de 2012.

“Só lamento é que, havendo tanta ocasião gloriosa para eu morrer, esses heróis me viessem matar pelas costas. Enfim... em Canudos fizeram pior...”
E em seguida, dirigindo-se ao irmão: - “Logo que puderes, retira daqui os meus ossos. Direi como aquele general africano: 'Esta terra que tão mal pagou a liberdade que lhe dei, é indigna de possuí-los’. Ah, meus amigos, estão manchadas de lodo e de sangue as páginas da história do Acre! (...)
tanta ocasião gloriosa para eu morrer...” (José Plácido de Castro)

-  Município de Rio Branco

A bela capital acreana é cortada pelo Rio Acre. Segundo o censo, de 2011, do IBGE, sua população é de 342.298 habitantes, colocando-a como a sexta maior cidade da Região Norte. A população ordeira e simpática é muito prestativa e sabe receber os visitantes com uma cortesia de fazer inveja aos meus conterrâneos gaúchos. O Ciclo da Borracha e as secas motivaram uma intensa migração de nordestinos. A grande maioria destes sertanejos era de cearenses, estado que mais sofria os efeitos das estiagens. Estes valentes desbravadores estimularam o desenvolvimento do Município e promoveram uma intensa miscigenação com nativos locais dando origem a uma nova casta – a “raça acreana”, que carregava nos seus genes tanto a capacidade de sobreviver à inclemência da árida caatinga como aos inúmeros obstáculos da hiléia indomada.

-  Seja de Bronze a Sombra dos Heróis!
Fonte: (MEIRA)

Pátrio Dever
Quintino Cunha

Não basta adoração, amor não basta,
vênias augustas, méritos reais,
para a grandeza imensamente vasta
dos belicosos seres imortais.

O ferro, o bronze, que a Ciência gasta
nos vultos dos heróis que a vida faz,
Ah! nunca mais que, tu, morte nefasta,
nunca mais o consomes, nunca mais!

Escreva pois a Pátria esta sentença,
grande na forma, de pensar extensa,
escreva a Pátria, em tímidos alardes,
em nossa História - espaço de mil sóis:
- Seja de lodo a sombra dos covardes,
seja de bronze a sombra dos heróis!”

O herói Rio-grandense foi covardemente assassinado aos 35 anos de idade, permanecendo esse crime eternamente impune. Próximo à propriedade do seu assassino, os fiéis amigos de Plácido de Castro ergueram uma lápide de mármore, assinalando o local da emboscada. Seus ossos, porém, foram sepultados no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Na fronte do pedestal, a família fez gravar o nome completo de seus catorze algozes. (MEIRA)

-  Barão de Rio Branco

A capital acreana presta uma justa homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, diplomata, geógrafo e historiador. A história, porém, não pode olvidar, jamais, que os esforços diplomáticos tiveram sucesso porque muito antes deles um punhado de heróis teve a coragem de defender a ferro e a fogo esta valorosa terra.

Na época o títere governo brasileiro afirmava oficialmente que não havia problema a respeito do Acre, porque o Acre não era brasileiro – “o Acre era boliviano”. Ruy Barbosa, Serzedello Corrêa, Antônio de Paula Freitas, inúmeros intelectuais e patriotas discordavam sustentando, porém, que segundo, o Tratado de 1867, o Acre Setentrional, ao Norte da Latitude de 10º20’, era brasileiro.

Foi necessário, portanto, recorrer-se à força das armas para defender o que já era nosso pela força do direito. A diplomacia do Barão não seria suficiente, para tornar o Acre brasileiro, se não tivesse sido precedida das ações e reações enérgicas do chefe revolucionário José Plácido de Castro, do Marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo, do General Belarmino Augusto de Mendonça Lobo, de Euclides Rodrigues da Cunha, de Joaquim Francisco de Assis Brasil, e tantos outros que participaram ativa e decisivamente na “Questão do Acre”, que teve seu termo com a assinatura do Tratado de Petrópolis, acordado entre Brasil e Bolívia, pondo fim ao conflito dos dois países em relação ao território do Acre.

-  Acre toponímia
Fonte: (ANDRADE/GUIMARÃES)
                                                             
O nome, que passou do Rio ao território, em 1904, e ao estado, em 1962, origina-se, talvez, do tupi a'kir ü “rio verde” ou da forma a'kir, de ker, “dormir, sossegar”, mas é quase certo que seja uma deformação de Aquiri, modo pelo qual os exploradores da região grafaram Umákürü, Uakiry, vocábulo do dialeto Ipurinã. Há também a hipótese de Aquiri derivar de Yasi'ri, Ysi'ri, “água corrente, veloz”.

Na viagem que fez ao Rio Purus, em 1878, o colonizador João Gabriel de Carvalho Melo escreveu de lá ao comerciante paraense visconde de Santo Elias, pedindo-lhe mercadorias destinadas à “boca do rio Aquiri”. Como em Belém, o dono e os empregados do estabelecimento comercial não conseguissem entender a letra de João Gabriel ou porque este, apressadamente, tivesse grafado Acri ou Aqri, em vez de Aquiri, as mercadorias e faturas chegaram ao colonizador como destinadas ao Rio Acre.

-  Cronologia Histórica de Rio Branco
    Fonte: www.riobranco.ac.gov.br

1882

-  O vapor sobe o rio Acre e desembarca os Irmãos Leite no seringal Bagaço. Neutel Maia decide ficar algumas milhas acima e no dia 28 de dezembro funda o Seringal “Empreza”, na volta do rio onde está situada a Gameleira. Depois o mesmo vapor ainda deixa Manuel Damasceno Girão na foz do Xapuri, onde fundou o seringal Xapuri.

1902

18 de setembro: Primeiro Combate da Volta da “Empreza” - vitória boliviana.
5 a 15 de outubro: Segundo Combate da Volta da “Empreza” - vitória acreana.

1903

4 de abril: Ocupação da “Empreza” por tropas brasileiras, sob o comando do General Olympio da Silveira.

1903

13 de maio: O General Olympio da Silveira proclama, em “Empreza”, o término da Revolução Acreana.

1904

18 de agosto: Toma posse da Prefeitura do Departamento do Alto Acre, o Coronel Raphael Augusto da Cunha Mattos.
22 de agosto: Instaladas a delegacia de polícia e uma escola primária.
7 de setembro: Decreto Nº 7 - mudança de Nome de “Empreza” para Vila Rio Branco - provisoriamente sede do Governo da Prefeitura Departamental.

1908

-  É criada a Comarca do Alto Acre - Cidade “Empreza” – Sede.

1909

13 de junho: Prefeito Gabino Besouro - muda a sede do Departamento de “Empreza” (atual 2º Distrito) para Penápolis (atual 1º Distrito).

1910

10 de agosto: Instalava-se em Penapólis uma agência dos correios.

1912

3 de outubro: Por ato do Prefeito Departamental Deocleciano Coelho de Souza Penápolis e “Empreza” passam a se chamar Rio Branco.

1913

7 de maio: É instalada uma estação de Rádio Telegrafia, tirando os acreanos do isolamento total.
13 de junho: É criada uma nova organização ao território, razão da qual é instalado oficialmente o Município de Rio Branco.

1914

7 de janeiro: Primeiras eleições municipais.

1915

1º de maio: É inaugurado o primeiro grupo escolar da cidade.

1916

13 de maio: Inaugurado o serviço de luz elétrica.

1920

1º de outubro: Território do Acre - extinção do departamento e unificação dos municípios em torno de um só governo, Rio Branco é escolhida a capital do Território do Acre.

1962

15 de junho: A Lei 4070 – eleva o Território do Acre à categoria de Estado.

Fontes:

ANDRADE, Fernando Moretzsohn de; GUIMARÃES, André Passos. ACRE. In: Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopædia Britannica do Brasil Publicações, 1993.

MEIRA, Sílvio de Bastos. A Epopeia do Acre - Brasil - Rio de Janeiro, 1961 - Ed. Record.

Seminário de História Militar da Amazônia Brasileira


Seminário de História Militar da Amazônia Brasileira

Hiram Reis e Silva, Rio Branco, Acre, 01 de dezembro de 2012.

O historiador por excelência, aquele que estuda História e sabe depois aplicar seus ensinamentos em situações em que participa com intimidade. Aplicar segundo as disposições específicas e necessária inteligência de cada caso. (MENDONÇA)

-  Partida do Porto dos Casais

Mais uma vez parto, como diz um querido amigo e grande incentivador do projeto, Luiz Carlos Bado Bittencourt, para cumprir outra etapa de minha penosa, mas altamente gratificante “Missão Auto-atribuída”. Levantamos vôo eu e minha cara parceira Rosângela Schardosim, do Aeroporto Internacional Salgado Filho – Porto Alegre, às 06h30 depois de me despedir de minhas queridas filhas Vanessa e Danielle e de meu genro Samure. Felizmente os três puderam acompanhar-nos ao aeroporto e nos ajudaram guardando lugar na interminável fila até que realizássemos o chek-in, o caos era geral, filas quilométricas, informações conflitantes e atendentes mal-humorados, é difícil crer que estes problemas estejam resolvidos até a Copa do Mundo. Partindo para minha 5º jornada em cinco anos verifico constrito que nada mudou.

Em Rio Branco, recebemos apoio irrestrito dos nossos irmãos engenheiros. O Tenente-coronel José Luis Araújo dos Santos, Comandante do 7º Batalhão de Engenharia de Construção, mesmo em viagem a serviço, foi incansável em nos apoiar.

-  I Seminário de História Militar Terrestre da Amazônia Brasileira

Pouco falei do Seminário de que participei em Manaus patrocinado pelo Comando Militar da Amazônia, no meu último artigo, por isso volta à carga. O General Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, entusiasta da história, além de fazer a abertura e o fechamento do mesmo esteve presente em todas as etapas onde foram discutidos temas como:

-  Mesa 1 - Conquista da Amazônia Brasileira (1616 - 1750)

“Ao serviço de Deus e de Sua Majestade Católica” no Sertão das Amazonas: a ação militar na constituição da Amazônia Portuguesa (Professor Dr Auxiliomar Silva Ugarte – UFAM);

A cartografia da conquista da Amazônia Colonial (Professor Dr Roberto Monteiro de Oliveira – INPA);

A viagem de descobrimento ao Rio Madeira e suas vertentes pelo Sargento-Mor Francisco de Melo Palheta (Professor Emanuel Pontes Pinto – UNIR);

Viagem da Real Escolta pelo Rio Madeira, empreendida por José Gonçalves da Fonseca, nos idos de 1749 (Coronel R1 Hiram Reis e Silva – CMPA).

-  Mesa 2 - Consolidação da Conquista (1750 - 1791)

A criação da Capitania do Rio Negro (Raimundo Pontes Filho – Delegado da Polícia Civil AM);

Lobo D'Almada e a defesa militar nos Confins Ocidentais da Amazônia Portuguesa (Professor Dr. Francisco Jorge dos Santos - UFAM);

-  Mesa 3 - A defesa, a manutenção e a vigilância da unidade, da integridade e soberania do Brasil na Amazônia

A arquitetura militar em fortificações da Amazônia (Drª Graciete Guerra da Costa - UFRJ);

A Cabanagem e a reformulação social da Amazônia (Márcio Souza – PANAMAZÔNIA);

A Criação do Comando Militar da Amazônia (Gaitano Antonáccio - PANAMAZÔNIA);

A Saga do 5º Batalhão de Engenharia de Construção (Ten Cel R1 Lauro Pastor);

As ações do Coronel Jorge Teixeira (General Bda R1 Thaumaturgo Sotero Vaz).

-  Mesa 4 - A defesa, a manutenção e a vigilância da unidade, da integridade e soberania do Brasil na Amazônia

A Defesa Nacional e a implantação do Modelo Zona Franca de Manaus (Professor Dr. Sylvio Mario Puga Ferreira - UFAM);

De Rondon a Villas Bôas: o apoio do Exército Brasileiro na integração com os povos indígenas (Professor Silvio Rodrigues Caldas - NEEPA);

Geopolítica da Amazônia em dois atos: I) tempos atuais, II) tempos futuros (Dr. Antonio Loureiro).

-  Velhos Amigos

Conheci pessoalmente o Professor Emanuel Pontes Pinto, da UNIR, que me enviara, instigado pelo General Bda Tibério, a narrativa da Viagem de Palheta pela Bacia do Madeira. Este decano e simpático Mestre é embalado por uma chama que entusiasma a todos aqueles que assistem suas apresentações e intervenções.

Revi meu velho amigo e Irmão maçom Dr. Antônio Loureiro que comenta cada artigo que escrevo sobre as plagas amazônicas. O Dr. Loureiro foi o palestrante certo para encerrar a série de palestras, cujos temas foram gradativamente passando do longínquo pretérito até chegar às questões hodiernas.

Mestre Loureiro foi além e qual Nostradamus traçou em funestas linhas uma visão quase apocalíptica sobre o futuro de nossa Amazônia tão comprometida pelas “políticas” absurdas que conseguiram engessar a economia do Amazonas transformando uma solução temporária como a Zona Franca em permanente.

-  “Engessamento” da Amazônia

A política indigenista está dissociada da história brasileira e tem de ser revista urgentemente. Não sou contra os órgãos do setor. Quero me associar para rever uma política que não deu certo; é só ir lá para ver que é lamentável, para não dizer caótica. (General de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira)

A alienação política de nossos políticos e juristas transformou as questões indígenas e ambientais em moeda de troca barganhando nossa soberania com “estranha” submissão aos interesses alienígenas inconfessos. Estas desastrosas ações realizadas sem conhecimento de causa afetam não somente os destinos da nação brasileira, mas, sobretudo, das populações indígenas tão manipuladas por Organizações não Governamentais que absolutamente se preocupam com a sua sobrevivência, mas tão somente com as riquezas desta tão cobiçada terra.

Quando se tenta impedir o contato ou a miscigenação de nossos nativos com os “não índios” ou com agentes do estado brasileiro consentisse que este contato se dê através do que há de pior na sociedade nacional. A ausência do estado permite que garimpeiros, traficantes, madeireiros e degenerados de toda espécie e de todas as bandeiras os aliciem. Nas nossas viagens pelos amazônicos caudais ouvimos relatados de índios servindo de “mulas” (transportando drogas), construindo campos de pouso para todo tipo de tráfico, vendendo madeira para madeireiros inescrupulosos...

-  Plano Plurianual

Os estados amazônicos precisam, mais do que nunca, de um Plano Plurianual, forjado pelos filhos da terra das águas e apoiados pelas universidades locais. Precisamos de Políticas que apontem alternativas para o período pós Zona Franca. A cidade de Manaus cresce assustadoramente enquanto suas coirmãs do interior mínguam sem qualquer tipo de apoio ou opção para as novas gerações.

Mais que nunca o Governo Federal precisa voltar seus olhos para o planejamento estratégico sem se deixar enganar pela ladainha do “politicamente correto” que visa tão somente o engessamento da região.

-  Comando Militar da Amazônia (CMA) e a Mídia

É muito salutar a convivência da mídia do estado do Amazonas com o CMA. Estávamos ultimando nossa apresentação na Seção de Comunicação Social do 2º Grupamento de Engenharia quando tivemos a oportunidade de acompanhar a gravação de uma matéria sobre esta organização militar. O Seminário também recebeu atenção especial por parte do noticiário local.

Fonte - MENDONÇA, Belarmino. Reconhecimento do Rio Juruá (1905) – Brasil – Acre – Fundação Cultural do Estado do Acre, 1989 - Introdução de Leandro Tocantins.