MAPA

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Manaus/Itacoatiara

Manaus/Itacoatiara


Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. (Salmo 133, Bíblia Sagrada)

Consegui, no meu último dia de permanência em Manaus (27.01.2012), cumprimentar e agradecer ao meu caro amigo e ex-Cadete, General José Luiz de Paiva, Comandante do 2° Grupamento de Engenharia (2° Gpt E), que estava envolvido nas passagens de comando dos 5°, 6° e 7° Batalhões de Engenharia de Construção. O apoio do 2° Gpt E, nesta 4ª Fase do Projeto Desafiando o Rio-mar, assim como na 3ª, permitiu que levássemos a bom termo as visitas, pesquisas e entrevistas planejadas.

Dentre tantas surpresas agradáveis, que aconteceram durante minha permanência em Manaus, uma das mais gratas foi, sem dúvida, a de ter sido convidado pelos irmãos (Ir:.) Raimundo e Vilela, Coronéis do 2° Gpt E, para realizar duas palestras sobre o Projeto Desafiando o Rio-mar, uma no 2° Grupamento de Engenharia e outra na abertura dos trabalhos da Loja Maçônica Vitória Régia filiada ao Grande Oriente do Brasil (GOB), loja a que pertence o Coronel Flávio Teixeira, entusiasta participante da equipe de apoio das 2ª e 3ª Fases do Projeto. Depois da abertura, seguindo os procedimentos do “Rito Brasileiro”, os trabalhos foram interrompidos e fiz uma pequena apresentação do Projeto, desde a sua concepção, planejamento, treinamento e execução de cada uma das quatro fases. Após a sessão fomos brindados com uma ágape nas instalações da Loja e mais tarde o Coronel Vilela me conduziu até o Piquiatuba para iniciarmos o deslocamento até a Comunidade de Mauari, 23 quilômetros a montante da Foz do Madeira.

-  Partida de Manaus (28.01.2012)

Partimos de Manaus por volta da uma hora da manhã, eu estava muito cansado e a jornada que se avizinhava exigiria um esforço muito grande, mas eu não podia perder a oportunidade de contemplar a cidade de Manaus e a bela Ponte do Rio Negro à noite. O Piquiatuba passou sob o monumental vão central, as luzes douradas iluminavam os cabos de sustentação da ponte pênsil enquanto fachos coloridos alternavam-se matizando o enorme pilar com as cores do arco-íris. Os dois vãos livres de 200 metros são suportados por cabos ancorados no marque central de 172 metros de altura, a partir do nível d’água, e vãos livres de 55 metros, no mínimo (período da cheia), de altura para a passagem de transatlânticos ou navios de grande porte. Meu filho, João Paulo, registrou a passagem com inúmeras fotografias.

Ponte do Rio Negro à noite.

A ponte foi uma iniciativa do Governo Estadual, cansado de esperar pelas promessas de verbas federais. A ponte faz parte do complexo rodoviário que unirá Porto Velho a Manaus através da BR 319 e que irá permitir, futuramente,  depois de construída a ponte, em Manaquiri, ou sobre outro sítio no Solimões, a ligação do Brasil através da BR 174, até o Estado de Roraima e Venezuela. Infelizmente a Presidenta anunciou, recentemente, que o Governo Federal não irá construir a ponte sobre o Rio Solimões frustrando não apenas as expectativas das populações dos Estados do Amazonas e Roraima, mas do Brasil inteiro. Para completar o amargo pacote de decisões federais o Todo-poderoso IBAMA não liberou a construção do chamado trecho do meio da BR 319, que tem cerca de 400 quilômetros de extensão, apesar de todos os requisitos ambientais terem sido adequadamente cumpridos. As populações ao  longo da BR 319 vivem marginalizadas enfrentando uma série de dificuldades, mas o IBAMA, alheio a tudo e a todos, está mais preocupado com cacos de cerâmica e pequenos detalhes na confecção de documentos do que com os brasileiros carentes e desassistidos.

Usei os binóculos ofertados por um grande mestre e amigo de Campinas para admirar a cidade que se afastava lentamente deixando em nossos corações e mentes belas lembranças de amizade e companheirismo.

-  Partida de Mauari (28.01.2012)

Chegamos a Mauari por volta das seis horas da manhã. A cheia do Amazonas tinha afogado a amiga Maria Mococa que tínhamos conhecido na véspera de natal do ano retrasado (2010). Ano passado quando aportamos na Foz do Igarapé Mauari avistamos formações rochosas de ambas as margens que se debruçavam sobre as águas do Rei dos Rios e no centro uma bela praia de areias brancas. Na ponta da laje de jusante existe uma formação que lembra um rosto feminino conhecido como Maria Mococa.

Maria Mococa.

As águas, hoje, estavam a mais de quatro metros acima do nível, do dia 24 de dezembro de 2010, submergindo todo o belo conjunto da foz do Mauari. Estacionamos alguns metros abaixo, embarquei no caiaque e parti, célere, rumo a Itacoatiara. Depois de remar uns doze quilômetros meu filho se juntou a mim e remamos vigorosamente até o 18° km quando parei para lhe mostrar a interessante ponte de ferro em arco sobre o Igarapé Nossa Senhora das Graças. Em 2010, não corria uma única gota d’água sob a ponte e tive de escalar o barranco para poder fotografá-la, hoje se podia acessar o Igarapé diretamente do Rio e havia muita água correndo sob a ponte.
 
Igarapé N. Srª das Graças (verão)
 
Igarapé N. Srª das Graças (inverno)

A viagem transcorreu sem maiores transtornos, só avistamos os primeiros troncos de madeira depois de ultrapassarmos a Foz do Madeira. Estes troncos, tão temidos pelos ribeirinhos, já causaram e continuarão causando prejuízos pessoais e materiais porque contam com o incompreensível beneplácito das idiotizadas autoridades ambientais. Pelo menos dois projetos que pretendiam retirar estes perigosos obstáculos dos rios foram obstaculizados pelo IBAMA. Um deles, na Hidrelétrica de Santo Antônio foi vetado e o da HERMASA de Itacoatiara multado por estar aproveitando estes rejeitos arbóreos em suas caldeiras. Coisas de um Brasil cujas autoridades, coniventes, subservientes ou a soldo de parceiros estrangeiros se submetem aos seus interesses visando manter o seu monopólio prejudicando aqueles que produzem e geram emprego no nosso rico e pobre país. Rico quando se trata dos potenciais a serem explorados sejam minerais ou agrícolas, e pobre tendo em vista que pouco a pouco o controle destes recursos, antes administrados por empresas estatais ou privadas, estão passando para as mãos de oligopólios internacionais gerando enormes divisas para seus países e uns poucos “trocados” para os “brasileiros bonzinhos”. É uma nova versão do colonialismo que conta com a participação ativa de empresários nacionais omissos abençoados por uma política entreguista e desnacionalizadora.

Chegamos à Itacoatiara, às 11h12, depois de navegar 75 km em 5h15 a uma média de 14,3 km/h, e depois do almoço eu e a Rosângela nos instalamos em um pequeno hotel, próximo à praça com o intuito de buscar repouso reparador. Apesar de termos solicitado o último quarto, bem longe do movimentado “Passeio Público Jornalista Agnelo Oliveira”, conhecido como Orla Municipal, às margens do Rio Amazonas, em busca do almejado silêncio, hóspedes mal educados, porém, chegavam de madrugada falando alto e batendo as portas, além disso, o hotel não disponibilizou tolhas de banho sob a alegação de que não estavam secas, um serviço bastante medíocre para uma cidade como Itacoatiara. Em contrapartida, o Mestre José Holanda, com sua fidalguia peculiar, deixou-nos seu carro a disposição e tive que reaprender a dirigir utilizando os recursos da direção hidramática do sofisticado veículo, confesso que é muito mais fácil nos adaptarmos ao conforto e às coisas boas do que à carência e às dificuldades. Graças a isso conseguimos visitar os prédios históricos da cidade e fotografá-los.


-  Itacoatiara (29.01.2012)

No domingo, Holanda nos proporcionou um belo almoço no Restaurante Panorama, de sua sobrinha, e à tarde concedeu, no Piquiatuba, uma entrevista, acompanhado de seu neto, contando sua origem e sua história de vida que, oportunamente, reproduziremos.





sábado, 28 de janeiro de 2012

TG 12-002 de Manicoré, AM, um Paradigma

TG 12-002 de Manicoré, AM, um Paradigma

Si vis pacem, para bellum.

Conheci o Tiro de Guerra de Manicoré graças ao grande amigo e excelente jornalista Walter de Azevedo Filho, da Rede Amazônica. As instalações primorosas e bem cuidadas refletem o êxito da bela parceria que se formou entre a Prefeitura Municipal de Manicoré (PMM) e o Exército Brasileiro (EB).


Antes da Parceria.

Depois da Parceria.
  A instalação de uma modelar e bem equipada Unidade Básica de Saúde (UBS), no interior do aquartelamento, com recursos Municipais, permite, hoje, que a população manicorense conte com atendimento de qualidade proporcionado pelos profissionais de saúde do Exército Brasileiro. O equipamento odontológico, de última geração, por sua vez, foi doado pelo judiciário local o que demonstra de forma definitiva que os poderes unidos são capazes de fazer a diferença.


A Escola Municipal, mais conhecida como a “Escola do Tiro de Guerra”, conta, igualmente, com instalações confortáveis, salas de aula climatizadas, quadro branco, e, o que é fundamental, professores qualificados e dedicados. O Capitão De Souza, Instrutor Chefe do TG, que na oportunidade estava se preparando para passar o comando, mostrou-nos as instalações visivelmente emocionado com o resultado dessa “parceria que deu certo” entre o EB e a PMM.


No dia 24 de janeiro, realizamos uma entrevista com o Comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, dileto amigo com o qual tivemos a honra e o privilégio de conviver, como instrutores, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), no início da década de 80. Um dos assuntos tratados foi o dos Tiros de Guerra e aproveitei a oportunidade para citar o TG de Manicoré como exemplo que deveria ser seguido pelas demais Prefeituras que ao melhorar as instalações dos aquartelamentos estariam fazendo um investimento que resultaria em benefício direto para a população local.

-  Histórico
    Fonte: Tiro de Guerra 12-002 - Manicoré-AM

A Portaria Ministerial n° 394/Reservada, de 15 de julho de 1996, criou o Tiro-de-Guerra de Manicoré com a designação de TG 12/002. Seu primeiro Diretor foi o Prefeito Municipal Sr. Waldomiro Gomes e seu Chefe de Instrução o 2° Ten R/1 Francisco Edmar Aguiar Medeiros.

O TG iniciou suas atividades em Manicoré, no dia 1° de março de 1997, utilizando provisoriamente as instalações do antigo prédio da Embratel, enquanto se construía sua sede atual, em terreno cedido pela Prefeitura Municipal, com recursos da Fundação Nacional da Saúde.

No dia 17 de julho de 1998, as instalações foram entregues pela Fundação Nacional de Saúde. Em 28 de julho de 1998, após solenidade na Praça da Bandeira, a nova sede foi inaugurada oficialmente pelo Comandante Militar da Amazônia General de Exército Germano Arnoldi Pedrozo, contando com as ilustres presenças do Comandante da 12ª Região Militar General de Brigada Eron Carlos Marques e do Prefeito de Manicoré Sr. Waldomiro Gomes, Vereadores, autoridades, lideranças locais acompanhados de grande número de populares.

O TG recebeu a denominação de “Tiro de Guerra Dr. Edmundo Juarez”, em homenagem ao médico sanitarista de renome internacional, à época Presidente da Fundação Nacional de Saúde, que patrocinou a construção das instalações que a área do TG possui, e que falecera em março de 1998, antes da inauguração do Tiro.

O Tiro de Guerra já formou um contingente de 108 Cabos, sendo 04 mulheres, e 527 Atiradores dos quais 16 do segmento feminino.

Em 19 de novembro de 2011, foi inaugurada pela Prefeitura Municipal de Manicoré, a ampliação da Escola Municipal Dr. Edmundo Juarez; a Unidade Básica de Saúde Lucy Marques Cavalcante e a reforma do Pavilhão de Administração, com a presença do Prefeito em Exercício Lúcio Flávio do Rosário – Diretor do TG, autoridades locais e população em geral.

Seu atual Diretor é o Sr. Manoel Galdino de Oliveira, Prefeito Municipal e seu efetivo é composto por um Instrutor Chefe, um Tenente dentista, um Tenente médico e um Sub-Tenente Instrutor




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Corrida do Ouro no Rio Madeira

A Corrida do Ouro no Rio Madeira


Elas não podem impedir a navegação. Isso é proibido.
Se forem vistas fazendo isso, é apreensão na certa.
A lavra deve ser feita apenas onde não houver risco ambiental.
 (Fred Cruz - Assessor do DNPM)

O Rio Madeira esconde sob suas águas barrentas e apressadas a ilusão de enriquecimento “rápido” de milhares de seres humanos que abandonaram o conforto de suas casas e a convivência de seus familiares para morar em precários e barulhentos flutuantes, cercados por estranhos, ancorados no leito do Rio, em busca do ouro. Na “Corrida do Ouro”, da década de oitenta, o Rio Madeira foi palco de um drama onde raras pessoas fizeram fortuna e onde muitas perderam tudo que tinham e, não raras vezes, a própria vida.

Em nossa descida, pelo maior afluente da margem direita do Rio Amazonas, avistamos milhares de dragas trabalhando diuturnamente removendo areia, lama e cascalho com tal intensidade que são capazes de alterar a geografia do Rio. São verdadeiras Vilas flutuantes, algumas margeando, quase bloqueando, perigosamente os canais de navegação, prejudicando o tráfego naval e colocando em risco as vidas de seus residentes e dos tripulantes das embarcações. A partir de Borba à medida que nos aproximamos da foz do Madeira seu número vai diminuindo lentamente até se tornarem raras. Avistamos à noite algumas trafegando temerariamente, praticamente, às escuras, sem qualquer tipo de sinalização com a finalidade de mudar de local de garimpo ou, em virtude da cheia, voltar à sua Comunidade de origem onde permanecem estacionadas até a vazante.


-  A Amalgamação
Fonte: Jurandir Rodrigues de Souza e Antonio Carneiro Barbosa

A utilização do mercúrio no processo de amalgamação do ouro já era conhecida pelos fenícios e cartagineses em 2.700 a.C. Caius Plinius, em sua “História Natural” (50 d.C.) descrevia a técnica de mineração do ouro e prata com um processo de almagamação similar ao utilizado hoje nas minas de ouro. O Brasil não produz mercúrio. A sua importação e comercialização são controladas pelo IBAMA por meio da Portaria n° 32 de 12/05/95 e Decreto n° 97.634/89, que estabelece a obrigatoriedade do cadastramento no IBAMA das pessoas físicas e jurídicas que “importem, produzam ou comercializem a substância mercúrio metálico”. O uso do mercúrio metálico na extração do ouro é também regulamentado. O Decreto 97.507/89 proíbe o uso de mercúrio na atividade de extração de ouro, “exceto em atividades licenciadas pelo órgão ambiental competente”. Por outro lado, a obrigatoriedade de recuperação das áreas degradadas pela atividade garimpeira é igualmente regulamentada pelo Decreto 97.632/89.

As dragas, instaladas em flutuantes, estendem suas lanças de sucção, acionadas por bombas de 5 a 12 polegadas, que reviram o leito arenoso e despejam o cascalho, lodo e areia juntamente com milhares de litros de água em uma calha.

Lança de Sucção: tubulação com sistema de cabeças cortantes que penetram as rochas duras no fundo dos Rios. Algumas destas lanças são manuseadas por mergulhadores que permanecem por mais de quatro horas submersos. A baixa visibilidade das águas contribui para a incidência de acidentes fatais casuais ou mesmo intencionais provocados por garimpeiros rivais.

O material passa, então, por uma calha concentradora que elimina a lama e a água, o restante é misturado ao mercúrio (Hg) que tem a propriedade de unir-se a outros metais produzindo uma amálgama.

Calha Concentradora: nessas calhas acarpetadas a recuperação do ouro, normalmente, é inferior a 50%. A amalgamação dos concentrados é feita através de misturadores de alta velocidade, bastante ineficientes, que permitem que as partículas finas de mercúrio sejam despejadas nos rios juntamente com os rejeitos de amálgama. O mercúrio vai, então, formando os chamados “hot spots” (pontos quentes), isto é pontos com alta concentração do poluente. O mercúrio metálico inicia, lentamente, seu processo de oxidação aumentando sua solubilidade e tornando-se um poluente da biota aquática.

Posteriormente, para separar o ouro do mercúrio, usa-se o processo conhecido como “queima do amálgama”, onde a liga metálica é submetida a altas temperaturas fazendo o mercúrio voltar ao estado líquido, separando-o do ouro. O preço do mercúrio nos garimpos embora atinja cinco vezes o preço internacional é um reagente considerado relativamente barato tendo em vista que um quilo de Hg pode ser adquirido com apenas um grama de ouro.

-  Garimpo nos Reservatórios das Hidrelétricas

Em 2008, foi liberada atividade garimpeira no Rio Madeira em duas áreas determinadas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente/RO. A primeira ficava a uns 20 quilômetros a montante da Cachoeira do Teotônio e se estendia até as proximidades do Rio Jaci e a outra desde uns 15 quilômetros a montante da Cachoeira do Jirau até a Cachoeira do Paredão. Na época mais de 1.700 requerimentos foram protocolados no DNPM, mas apenas um garimpeiro e duas cooperativas apresentaram licenças ambientais e receberam as 28 permissões para extrair ouro na região. Cerca de duas mil pessoas, 250 pequenas balsas e 70 dragas trabalharam nas duas áreas liberadas antes da inundação dos reservatórios de Santo Antônio e Jirau.

-  Licenciamento do IPAAM

A garimpagem do ouro ao longo do Rio Madeira foi autorizada pelo DNPM após licenciamento do IPAAM. A decisão foi tomada apesar de o Rio ser uma Hidrovia Federal e esta atividade ocorrer, também, na Floresta Nacional de Humaitá e nas suas cercanias. A legalização teve participação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiental do Amazonas (SDS), que elaborou o “Projeto de Extrativismo Mineral e Familiar do Rio Madeira” incentivando a criação de uma Cooperativa e facilitando a compra de equipamentos (cadinhos ou retortas) que deveriam ser usados para reduzir a poluição com mercúrio.

Cadinhos ou Retortas: o cadinho, ou retorta é constituído por um compartimento onde o amálgama é aquecido por uma tocha ou um leito de carvão incandescente e um tubo condensador resfriado a água. O uso deste recurso permite que 95% do mercúrio das amálgamas de ouro possa ser condensado e novamente usado.

Segundo relatório do IBAMA, o projeto do Governo Estadual não considerou a proibição de o garimpo ser executado nas margens ou barrancos de rios nem limitou o número de bombas de sucção ou de balsas por área. O documento afirma, ainda, que o mercúrio continua a ser usado indiscriminadamente, apesar dos equipamentos disponibilizados pelo Governo Estadual e que o destino dos rejeitos deste metal não foi estabelecido no projeto. Os garimpeiros, segundo o documento, não foram orientados, devidamente, para adquirir os cadinhos (retortas), somente de comerciantes cadastrados pelo IBAMA, como, também, não foram devidamente instruídos sobre a atividade na FLONA Humaitá e no seu entorno.

Podemos afirmar, contrariando a preocupação do IBAMA, que à jusante de Porto Velho não existe nenhum tipo de garimpagem sendo executado nas margens ou barrancos do Rio Madeira. Outro ponto importante, que devemos ressaltar, é o que se refere à violência que, normalmente, impera, nas regiões de garimpo. Como a maioria das dragas é operada por membros das Comunidades, que se conhecem e não raras vezes unidos por laços de família, o aspecto da violência foi praticamente anulado.
No Eldorado do Juma (Nova Aripuanã), o Governo do Estado do Amazonas, atropelando a Constituição Federal, pretende executar um processo semelhante ao do Rio Madeira. O ouro do Juma além de se encontrar no subsolo, propriedade do Governo Federal, está situado em um Assentamento do INCRA, cabendo, portanto, a um Órgão Federal, no caso o IBAMA, o processo de licenciamento ambiental.

-  Contaminação por Mercúrio

São agressões ao sistema nervoso, comprometimento da visão,
locomoção, surgimento de anomalias. (Biólogo Vanderley Bastos)

O garimpo, além do impacto social relevante, provoca um prejuízo ambiental importante. As margens do Rio são destruídas, o material dragado resulta no assoreamento do leito e o mercúrio, altamente tóxico, afeta a cadeia alimentar da região contaminando os peixes, principal base alimentar da população ribeirinha. Mesmo na comercialização, longe dos garimpos, o mercúrio continua fazendo vitimas. A decomposição térmica da amálgama gera uma “esponja” de ouro contendo 20 g de Hg residual por quilo de ouro. Os compradores de ouro, nas povoações fundem o ouro a ser comprado à vista dos garimpeiros para eliminar as impurezas minerais associadas. O processo desprende o mercúrio residual que contamina a atmosfera do ambiente de trabalho e as imediações do estabelecimento comercial contaminando as pessoas que vivem nas imediações.

Pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), analisaram amostras de peixes, detritos e fios de cabelos dos ribeirinhos. Os exames mostraram que o nível de contaminação por mercúrio é três vezes maior que o permitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Hospital de Base de Porto Velho já registrou dezenas de casos de crianças anencéfalas (sem cérebro). A maioria dessas crianças recém-nascidas, com deformidades, é de áreas próximas aos garimpos. O mercúrio pode contaminar o ser humano de duas maneiras: ocupacional e ambiental. A ocupacional está ligada ao ambiente de trabalho, como mineração e indústrias. A contaminação acontece pelas vias respiratórias atingindo o pulmão e o trato-respiratório. A inalação dos vapores de mercúrio acarreta fraqueza, fadiga, anorexia, perda de peso e perturbações gastrointestinais. A contaminação ambiental é provocada pela dieta alimentar, usualmente através da ingestão de peixes, entrando diretamente na corrente sanguínea, afetando o sistema nervoso central. A ingestão de compostos mercuriais provoca úlcera gastrointestinal e necrose tubular aguda. O mercúrio vai progressivamente se depositando nos tecidos, causando lesões graves nos rins, fígado, aparelho digestivo e sistema nervoso central.

Um processo de conscientização e fiscalização rígida é extremamente necessário. No processo de recuperação do ouro, não devem ser lançados resíduos de mercúrio no solo e no leito dos rios e a queima do amálgama deve ser executada em retortas, evitando que o vapor de mercúrio contamine a atmosfera.

-  Doença de Minamata
    Fonte: Marcello M. da Veiga e Jennifer J. Hinton - Universidade de British Columbia, Canadá e Alberto Rogério B. Silva - ARBS Consultoria Belém-Pará.

A “Doença de Minamata” foi pela primeira vez detectada em 1953, mas somente em 1959, cientistas da Universidade de Kumamoto atribuíram os sintomas ao metilmercúrio consumido através de peixes e de moluscos. De 1932 a 1968 a companhia Chisso produziu acetaldeído, utilizando óxido de mercúrio como catalisador. O metilmercúrio era formado na reação e descarregado (cerca de 400 toneladas) com os efluentes na baía de Minamata. Moradores de Minamata e vizinhanças, que consumiam extensivamente peixes e frutos do mar sofreram as piores consequências desta irresponsabilidade industrial. Até 1997, 10.353 pessoas, das quais 1.246 faleceram, foram certificadas pelo governo japonês como vítimas da “doença de Minamata”.

Sintomas da doença de Minamata nunca foram comprovados na Amazônia, mas constatação de efeitos neurológicos em pessoas que se alimentam frequentemente de peixe com médios a altos níveis de metilmercúrio têm sido reportadas. O metilmercúrio é excretado lentamente pelas fezes (de 1 a 4% por dia) e uma pequena parte pelo cabelo. Normalmente, o nível de metilmercúrio no cabelo é 300 vezes mais alto do que a concentração no sangue. (...) Teores de Hg em cabelo inferiores a 5 e 10 ppm são aceitáveis para não impor nenhum risco ao feto (em caso de grávidas) e ao adulto respectivamente. Infelizmente teores de até 84 ppm Hg foram analisados em cabelos de mães da região garimpeira do Rio Madeira.


-  Produção

As Balsas de Grande Porte trabalham durante todo o ano a uma profundidade de até 45 metros produzindo, mensalmente, uma média de 2 kg de ouro enquanto as Balsas de Pequeno Porte (chamadas na região de Chupadeiras) trabalham, normalmente, no período de estiagem, em torno de seis meses por ano, trabalhando a uma profundidade de, no máximo, 10 metros e produzem mensalmente uma média de 350 gr de ouro.

-  Muitos Sonhos Desfeitos, Poucos Sonhos Realizados

Milhares de pessoas, vindo inclusive de outros Estados, vieram em busca do Eldorado no Rio Madeira. A maioria sucumbiu ao trabalho difícil, o ambiente hostil ou não conseguiu se adaptar às leis selvagens do garimpo abandonando a atividade logo no início. Poucos, mas muito poucos, dos que resistiram, conseguiram juntar ouro suficiente para mudar de vida.

-  Futuro do Garimpo do Rio Madeira
    Fonte: Marcello M. da Veiga e Jennifer J. Hinton - Universidade de British Columbia, Canadá e Alberto Rogério B. Silva - ARBS Consultoria Belém-Pará.

A atividade garimpeira no Rio Madeira e afluentes está com os dias contados, ano a ano a produção diminuiu e é inevitável que a lavra artesanal, com o passar dos anos venha a ser substituída pela industrial como afirmam, no seu excelente artigo, os autores de “O Garimpo de Ouro na Amazônia: Aspectos Tecnológicos, Ambientais e Sociais”.

A tendência de todos os garimpos de ouro é semelhante no mundo inteiro, ou seja, a transformação da atividade artesanal em industrial. À medida que o ouro superficial e de fácil extração for se exaurindo, o garimpeiro tenta a sorte extraindo ouro primário. Sem o domínio técnico, o garimpeiro vê seus investimentos sendo dragados pelos altos custos operacionais. Quando os garimpeiros possuem titulação mineraria, através de concessão (Alvará de Pesquisa), ou permissão (Permissão de Lavra Garimpeira), o passo natural é vender ou se associar com empresas de mineração que possuam competência técnica.




sábado, 21 de janeiro de 2012

A Amazônia para os Negros Americanos

A Amazônia para os Negros Americanos


Temos um destino a cumprir, um “Destino Manifesto” sobre todo o México, sobre a América do Sul, sobre as Índias Ocidentais e Canadá.
 (J.D.B. De Bow - De Bow’s Review)

Ao ler, recentemente, “A Amazônia para os Negros Americanos”, da historiadora paulista Nicia Vilela Luz, observamos que as articulações, os conchavos, os artifícios e pressões diplomáticas de toda ordem e o processo de “convencimento” de políticos e empresários brasileiros através de propinas ou oferta de cargos, regiamente remunerados em empresas multinacionais, em troca do controle das companhias estatais e privadas nacionais por estrangeiros não se alterou através dos tempos.



Como não se alterou a determinação das grandes potências de dominar os demais países seja, a curto prazo, através da força ou de seu poderio econômico a médio e longo prazo. O Brasil pressionado pelos países hegemônicos interessados em manter seu “status quo” aceitou sediar uma Copa que irá aumentar ainda mais sua Dívida Interna, hoje, em torno dos dois trilhões de reais.

-  Fuga de Divisas

O Governo Federal faz alarde sobre o volume crescente de nossas exportações, mas a própria UNESCO reconhece que elas são em grande parte realizadas por empresas estrangeiras, que adquirem os produtos nacionais a um preço aviltante para desfrutar de consideráveis margens de lucro lá fora.

Nossas exportações de soja crescem vertiginosamente, mas a maior parte deste lucro é rateado entre transnacionais como a Bunge e a Cargyll, respectivamente quarta e sexta maiores exportadoras “brasileiras” do setor.


O Ministério do Desenvolvimento, em 2003, mostrou que as vendas de minério do Brasil totalizaram US$ 7 bilhões e 800 milhões, mas em decorrência da absurda isenção de impostos para exportações o país arrecadou apenas 136,8 milhões de reais.
A PETROBRÁS não é mais do povo brasileiro e quem vem se beneficiando com a sua “auto-suficiência” e exportações são os estrangeiros. Hoje quase 70% do capital social da Petrobrás é privado e na divisão dos lucros de todo petróleo extraído e beneficiado pela Petrobrás a maior parte vai parar nas mãos do capital privado, sendo que mais da metade de sua composição é de capital estrangeiro.
-  Matthew F. Maury

Maury nasceu, em 14 de janeiro de 1806, em Fredericksburg, Virginia, USA. Descendente de Huguenotes franceses, por parte de pai, e de Ingleses e Holandeses por parte de mãe, Maury trazia no DNA uma mistura de visionário, cientista e homem de negócios. Incapacitado para o serviço ativo, em virtude de um acidente, foi designado para o “Depósito de Cartas e Instrumentos do Departamento da Marinha em Washington” que, depois de algum tempo, transformou no “Naval Observatory and Hydrographic Office”. Seus estudos a respeito das Cartas dos Ventos das Correntes Marítimas alteraram as rotas dos navios à vela, encurtando os percursos e diminuindo o tempo de viagem, contribuindo, significativamente, para a evolução da marinha mercante americana.

Matthew F. Maury

 
-  Matthew e a Amazônia

O mundo amazônico é o paraíso das matérias primas, aguardando a chegada de raças fortes e decididas para ser conquistado científica e economicamente.(Matthew F. Maury - The Amazon and the Atlantic Slopes of South America, 1853)

Matthew procurou despertar a atenção de seus compatriotas, principalmente os sulistas, para a colonização da Amazônia. Comparava os vales da Bacia do Mississipi com a do Amazonas afirmando que esta última, além de ser duas vezes maior, o trabalho de um único dia por semana era o suficiente para abastecer a mesa do agricultor com abundância. Matthew afirmava que:

Se o comércio estendesse uma única vez suas asas sobre este vale, sua sombra seria como o toque de mãos de um mágico: estes imensos recursos logo se transformariam em vida e atividade.

E continuava dizendo que sob a ação milagrosa do progresso e do comércio a região:

seria levada a “desabrochar como uma rosa” – Temos, portanto, apenas de dar livre curso às máquinas do comércio – o vapor, o emigrante, a imprensa, o machado e o arado – e ela regurgitará de vida. (...) Agora começamos a ver que poderosa máquina é a atmosfera e mesmo que, aparentemente, seja tão caprichosa (...) em seus movimentos, há aí evidência de ordem e arranjo que devemos reconhecer e prova que não podemos negar, pois ela provê com regularidade e certeza esta poderosa precipitação e, é, portanto, tão obediente à lei como é máquina a vapor à vontade do seu construtor. (...)

Está inteiramente dentro do trópico. Seu clima quente e úmido dá origem a um desenvolvimento de forças vegetais, energias produtivas e possibilidades agrícolas as mais ilimitadas e maravilhosas.

As variações de clima negadas a essa região pela latitude, são possíveis graças às cadeias de montanhas e às altitudes, de tal forma que, dentro da extensão das encostas drenadas pelo Amazonas, pode-se encontrar toda variedade de clima com seus produtos peculiares, desde as regiões de neve eterna às de verão perene.

Matthews e seus compatriotas, advogando o princípio do determinismo geográfico, consideravam a Amazônia como um tributário do Mediterrâneo Americano, formado pelo Golfo do México e Caribe. Segundo eles, a Bacia Amazônia fazia parte do Sistema Americano de bacias hidrográficas formado pelo Mississipi e Orenoco. Baseavam esta tese levando em conta a proximidade, relativa, entre a Foz do Amazonas e do Estreito da Flórida além de considerar que os sedimentos, carreados pelo Amazonas, graças às correntes marítimas, passavam pela foz do Mississipi e chegavam até o “Gulf-Stream”.

Além do aspecto comercial, Matthews se preocupava com a problemática que seria criada após a abolição da escravidão nos USA, cuja raça poderia vir a se multiplicar de tal maneira que, no futuro, comprometeria a hegemonia da raça branca. Os sulistas precisavam, de qualquer maneira, livrarem-se do excesso de negros e uma maneira seria enviá-los para a Amazônia Brasileira a exemplo do que já havia sido feito pela “Sociedade Americana de Colonização”.

Sociedade Americana de Colonização: fundada em 1816, com a finalidade de enviar escravos alforriados de volta à África. A primeira leva chegou à Libéria, em 1822.

Matthews como todos os naturalistas e pesquisadores estrangeiros que aqui estiveram, desdenhava, da capacidade dos nossos nativos, aos quais chamava de “povo imbecil e indolente” e concordava, erroneamente, com eles ao considerar como extremamente férteis as terras do Grande Vale do Amazonas. Convencido da superioridade da raça branca ele pretendia que a região fosse povoada pelos negros americanos, logicamente sob o jugo dos brancos, o que mais tarde poderia servir de justificativa para legitimar a posse americana da Região.

Este vale (amazônico) é uma região para o escravo. O europeu e o índio estiveram lutando com suas florestas por 300 anos, e não lhe imprimiram a menor marca. Se algum dia a sua vegetação tiver de ser subjugada e aproveitada; se algum dia o solo tiver de ser retomado à floresta, aos répteis e aos animais selvagens e submetido ao arado e à enxada, deverá ser feito pelo africano. É a terra dos papagaios e macacos e só o africano está à altura da tarefa que o homem aí tem de realizar.

-  Missão Herndom-Gibbon

Era preciso revolucionar e anglo-saxonizar o vale constituindo ali uma República Amazônica. (Carta de Maury ao cunhado Herndon)

Maury acreditava, piamente, que Deus mantivera a Amazônia deserta para que os problemas do Sul dos USA pudessem ser resolvidos. O visionário não se contentou em formular teorias e incitar seus compatriotas e colocou em marcha um plano, que tinha como objetivo final, de salvar o instituto da escravidão transportando para a Amazônia os sulistas com seus escravos.

Maury indicou para realizar uma missão exploratória, à Bacia Amazônica, o seu cunhado Tenente da Marinha William Lewis Herndon acompanhado de Lardner Gibbon que partiram de Valparaiso para Lima em fevereiro de 1851. A partir de Lima a expedição se dividiu em dois grupos, Herndon deveria descer o Amazonas depois de alcançar o Marañon e Gibbon desceria o Rio Madeira a partir da Bolívia.

O relatório de Herndon, como não poderia deixar de ser, era uma reafirmação do ideário de Maury, que, aproveitando as informações colhidas pelo cunhado, elaborou uma série de artigos em que qualificava de “japonesa” a política brasileira a respeito da navegação na Bacia do Amazonas apelando para as ambições expansionistas de seus compatriotas. A águia iniciava uma campanha sistemática para estender suas garras e submeter, aos pouco, região aos interesses mercantis yankee. A primeira fase do Plano de Maury entrava em ação.

-  Reflexos da Campanha Sistemática de Maury

Em 1850, as Guerras de fronteiras entre Brasil, Uruguai e Argentina, e pelo direito de navegar nas águas da Bacia do Prata, iniciaram quando o governador Juan Rosas, bloqueou os rios da bacia platina ao comércio e à navegação de outros países. As tropas brasileiras venceram Rosas forçando a Argentina a reabrir a bacia para a navegação internacional. Maury atento aos acontecimentos aproveita o momento para excitar as ambições dos empresários americanos exaltando as riquezas da Amazônia.

1853   -  é decretada, no dia 27 de janeiro, a abertura à navegação dos rios bolivianos a todas as nações.

1853   -  é decretada, no dia 15 de abril, a abertura à navegação dos rios peruanos.

1862   -  o General James Watson Webb, ministro plenipotenciário de Washington junto à corte de D. Pedro II, encaminhou solicitação ao Imperador, propondo a vinda e fixação de negros americanos na Amazônia.

1866   -  aproveitando-se das dificuldades do Brasil com a Guerra do Paraguai (que os EUA apoiaram dissimuladamente), o governo norte-americano volta a insistir na proposta de assentamento de populações negras no vale amazônico.

1866   -  em dezembro, o governo brasileiro liberou a navegação internacional do Amazonas. O decreto estabeleceu que a abertura vigoraria a partir de 7 de setembro de 1867, e definiu quais rios estariam abertos à livre navegação, evitando o acesso irrestrito de estrangeiros à região.


Fonte:  LUZ, Nicia Vilela – A Amazônia para os Negros Americanos – Brasil – Rio de Janeiro – Editora Saga, 1968.