MAPA

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Encontro com Thiago de Mello

Encontro com Thiago de Mello


“Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem, como a palmeira confia no vento; como o vento confia no ar; como o ar confia no campo azul do céu”. (Thiago de Mello)

Estava distraído, selecionando alguns livros numa banca próxima ao Teatro Amazonas, quando fui surpreendido por uma imagem querida e conhecida. Todo de branco, ostentando uma bela e alva cabeleira coberta por chapéu igualmente branco, Thiago entrou na livraria com a suavidade de um anjo no paraíso. Fiquei boquiaberto e, não confiando em minha percepção, procurei confirmar minha expectativa com o coronel Teixeira. A expressão boquiaberta do Teixeira não deixava dúvidas, se tratava definitivamente de Thiago de Mello.

Só se ama aquilo que se conhece e entende.
Só se defende o que se ama” (Thiago de Mello)

Cumprimentei-o e relatei minha profunda admiração pelo maior poeta do estado do Amazonas. Confirmei, com ele, as palavras que uso no fechamento de todas as minhas palestras - palavras as quais ouvi em uma de suas entrevistas a uma rede de televisão - “Só se ama aquilo que se conhece e entende. Só se defende o que se ama”. Fiz um breve relato de nosso Projeto Aventura Desafiando o Rio-mar e o poeta se entusiasmou com a idéia. Pediu meu endereço em Porto Alegre para enviar-me alguns de seus livros. O poeta mostrou-me algumas de suas obras nas prateleiras e fez um breve relato das motivações que o levam a criar determinadas poesias. Foi realmente um privilégio desfrutar, ainda que por alguns momentos, da convivência desta tão conhecida e amada personalidade amazonense.

- Amadeu Thiago de Mello

“Eu consagro a minha vida, a minha palavra falada e a minha palavra escrita, ao esforço diário de reduzir o abismo entre aqueles que comem três vezes ao dia e aqueles deserdados que desconhecem o cheiro do pão. Consagro a minha vida à união dos povos latinos. Eu fiz a opção entre o apocalipse e a utopia. Escolhi a utopia porque acredito que é possível construir uma sociedade mais justa e mais solidária”. (Thiago de Mello)

Thiago de Mello, poeta amazonense e ícone da literatura regional, nasceu em Bom-Socorro, município de Barreirinha a 30 de março de 1926. Estreou, na literatura, aos 25 anos com o livro de poemas ‘Silêncio e Palavra’. Foi Adido Cultural da Embaixada do Brasil no Chile; nos anos sessenta, e durante a revolução de 1964, cumpriu seu período no exílio, residindo no Chile, na Argentina, em Portugal, na França e na Alemanha. Em 1978, voltou ao Brasil e teve suas obras publicadas pela Editora Civilização Brasileira. Seu poema mais conhecido é ‘Os Estatutos do Homem’. Em 1975, seu livro, Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida, foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, tornando-o reconhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.

Em homenagem aos 80 anos do poeta, foi lançado pela Karmim, em 2006, o CD comemorativo -  A Criação do Mundo, contendo poemas que o autor produziu nos últimos 55 anos, declamados por ele próprio e musicados pelo irmão, Gaudêncio Thiago de Mello.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Bons amigos

Bons amigos


Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

(Bons Amigos - Machado de Assis)

- Amigos investidores

Agradecemos as contribuições de cada uma das senhoras e dos senhores que tornaram possível a realização de mais esta fase do Desafio. Sem suas contribuições não teríamos a mínima possibilidade de realizar o evento. Este ano, embora complicações adicionais de comunicação impediram de mantê-los atualizados com mais oportunidade, informo que as notícias sobre o Negro continuarão a ser produzidas, tendo em vista estarmos complementando e ratificando observações colhidas ao longo da jornada com fontes fidedignas e registros históricos. Convidamos a todos a participarem conosco, novamente, da descida do Amazonas no trecho Manaus/Santarém em homenagem ao Grupamento Rodrigo Octávio no final do ano.

- Equipe de apoio

Queríamos deixar patente, ao término da descida do Rio Negro, nossos agradecimentos à equipe de apoio do projeto Desafiando o Rio-mar: Coronel Teixeira e o Piloto da etnia baré Osmarino; tal dupla proporcionou uma tranquilidade que não tivemos na 1ª fase do projeto. O meio de transporte deles - um bongo (barco escavado em um tronco de 7 metros) propulsionado por motor tipo rabeta de 5,5 hp, cuja instabilidade e precariedade foi suprida pela perícia de nosso amigo piloto.

- O furto do ‘Bonguinho’

Ano passado; o sensoriamento remoto da SkySulbra sofreu uma pequena avaria em Coari, perdi minha bússola Silva (fabricação sueca) que me acompanhava há 34 anos e o caiaque de meu parceiro teve o casco avariado impedindo-o de completar o percurso na sua totalidade. Este ano; perdi meu óculos Rayban (modelo MacArthur) na altura de Novo Airão e em Manaus, nas praias do 2º Grupamento de Engenharia de Construção, tivemos a nossa embarcação de apoio furtada. Anexamos a foto do ‘bongo’ furtado para caso haja confirmação positiva, as autoridades policiais sejam notificadas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Novo Airão / Manaus

Novo Airão / Manaus


“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)


Acordamos às cinco horas e às cinco horas e vinte minutos fui até o posto da Polícia Militar confirmar o apoio de viatura. O policial de plantão, como de praxe, não havia recebido as ordens devidas, mas consegui que a viatura estacionasse na hora combinada na ‘Pousada Alfa’, do senhor Raimundo, onde pernoitáramos. O carregamento e o transporte do material para a margem ocorreram sem problemas e parti, exatamente, às seis horas da manhã. Eu planejara chegar a Manaus fazendo duas paradas: a primeira, no antigo Castanheiro, atual Terra Preta, e a segunda, no Hotel de Selva Ariaú Amazon Towers.

- Partindo para Terra Preta - Castanheiro (18 de janeiro de 2010)
A viagem transcorreu sem maiores problemas. Raro movimento de embarcações nas Anavilhanas. Cheguei à Comunidade de Terra Preta por volta das onze horas e trinta minutos e me informaram que a equipe de apoio me aguardava no Centro Comunitário, em construção. Os operários estavam acampados no Centro e estavam empenhados na construção de uma Escola Municipal. Terra preta é conhecida pela construção artesanal de pequenas embarcações e se estende por uma única rua espremida entre o barranco e a praia. O conforto adicional era que teríamos luz das seis horas e trinta minutos até as dez horas. O grande transtorno, porém, foi o ronco de um dos operários que não permitiu que eu conseguisse dormir a noite toda.

- Partindo para o Ariaú (19 de janeiro de 2010)
Cansado, parti às seis horas e quinze minutos. O dia ensolarado, a correnteza fraca e os ventos de proa retardavam meu deslocamento. Nas paradas, com o objetivo de me refrescar, eu mergulhava o corpo nas águas turvas do Negro, mas as águas mornas não contribuíam para minha recuperação. Finalmente, recuperei o ânimo, quando avistei o rio Ariaú. Os botos vermelhos evoluíam, perigosamente, ao lado do caiaque, quase esbarrando no casco. Parei numa instalação flutuante do hotel e me informei se podia acessá-lo pelo canal. Após a confirmação, remei vigorosamente pelos três quilômetros que me separavam de meu destino. O acesso pelo rio me levou às antigas instalações do Complexo Hoteleiro e tive de procurar a recepção, no lado oposto, em busca de informações sobre a equipe de apoio. Encontrei o Teixeira e o Osmarino devidamente acomodados e providenciamos o descarregamento do caiaque. Após um banho reconfortante, do almoço e de uma breve visita às instalações, fui até o quarto pegar a máquina fotográfica, quando, então, tive um ataque de labirintite. No ano passado, o Dr Ritta, dono do Ariaú, havia prometido me receber gratuitamente no seu hotel, quando eu descesse o Rio Negro e foi justamente o que aconteceu. Podendo desfrutar do conforto e das diversas opções de lazer que o Ariaú oferece, tive de ficar de cama até o dia seguinte.

- O Ariaú Amazon Towers

“O Hotel de Selva Ariaú Amazon Towers, localizado no Município de Iranduba, Estado do Amazonas, é único na sua concepção arquitetônica, pois o mesmo é construído sobre palafitas de madeira à altura da copa das árvores. Devido a sua estrutura singular, o hotel integra-se juntamente com você e com toda a vida selvagem existente na Selva Amazônica como: macacos de diversas espécies, araras, papagaios, botos cor-de-rosa, entre outros animais da nossa fauna. Durante os 20 anos de existência, tem sido palco de eventos tais como: Cenário do filme ‘Anaconda’ da Sony Pictures, Base de Operações dos realities shows: ‘Survivor’ da CBS TV americana e ‘La Selva de los Famosos’ da Antena 3 TV espanhola, assim como de muitas outras reportagens e curtas metragens. O hotel também tem servido de base para vários eventos empresariais e educativos, com o intuito de desenvolver o conhecimento e educação sobre a Amazônia. Dentro as inúmeras atrações do Hotel, estão as excursões programadas para visitar a Selva Amazônica como: visita a casa de nativos, caminhada na selva, pesca da piranha, observação de animais de hábitos noturnos, interação com botos cor-de-rosa, sobrevôo panorâmico, encontro das águas, visita a tribo indígena, andar de carrinhos elétricos sobre as passarelas, sobrevivência na selva, visita às comunidades locais, visita à casa de nativos, entre outros. Para chegar ao Hotel dispomos de um serviço de cruzeiros para o Ariaú, percorrendo o Rio Negro e assim dando a oportunidade de você desfrutar e fotografar a imensidão da Amazônia. Disponível em dois horários diários de forma regular, tanto de ida como de retorno. O translado está incluso no pacote.

  • Horário de saída de barco: 08:00h  e 14:00h
  • Horário de Retorno de barco: 08:00h e 14:00h

Os pacotes incluem transporte regular do Aeroporto para o píer do Hotel Tropical, translado fluvial de ida e volta a Manaus, drink de boas-vindas e souvenir indígena, acomodação em apartamento stander com ar condicionado, varanda privativa e banheiro com chuveiro elétrico, pensão completa (exceto bebidas), excursões na selva conforme programação, sempre acompanhados de guias bilíngues especialistas na geografia local”. (www.ariau.tur.br)

- Partindo para Manaus (20 de janeiro de 2010)
Acordei às seis horas um pouco melhor, arrumei as minhas coisas e preparei o caiaque para a partida. Depois do café, iniciei minha última jornada. A velocidade que eu conseguia imprimir ao caiaque fez com que eu reavaliasse minha conduta e decidisse não fazer nenhuma parada de maneira a não atrasar muito minha chegada prevista para as duas horas da tarde na praia do Grupamento. O cansaço e a possibilidade de um novo ataque de labirintite me preocupavam. Depois de cruzar a parte mais estreita do Negro, e avistar Manaus a mais de vinte e quatro quilômetros de distância, senti um grande desânimo. Foi, então, que os golfinhos amigos, os botos tucuxis, apareceram para me animar. Um trio harmonioso evoluía num sincronismo perfeito seguido de um outro pequeno e solitário. As evoluções variavam de bombordo a boreste e passavam a poucos metros da proa do caiaque. O acompanhamento durou por mais de hora e meia e permitiu que eu desviasse, pelo menos momentaneamente, minha atenção dos problemas que enfrentava. Rumei diretamente para a concha acústica da Ponta Negra onde combinara encontrar a equipe de apoio. Como não a avistasse, rumei diretamente para o Grupamento. A equipe da Seção de Comunicação Social havia montado um toldo e me aguardava na praia com o repórter da TV Cultura.

- Projeto Desafiando Rio-mar - 3ª Fase
Ano que vem, vamos descer o rio Amazonas das praias do 2º Grupamento de Engenharia, Manaus (Amazonas) até o flutuante do 8º Batalhão de Engenharia de Construção (8º BECnst), Santarém (Pará). A 3ª Fase visa homenagear os 40 anos do Grupamento, atualmente comandado por um grande amigo e companheiro de jornada no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Porto Alegre (RS), em 1984, General de Brigada Lauro Luís Pires da Silva. A chegada em Santarém terá um significado igualmente especial, pois o comando do 8º BECnst estará nas mãos de um ex-cadete e parceiro de trabalho no 9º Batalhão de Engenharia de Combate, Aquidauana (MS), Coronel de Engenharia Aguinaldo da Silva Ribeiro.

O projeto já recebeu apoio do Senhor Fábio Paiva que vai doar um caiaque para ser rifado em benefício da 3ª fase do projeto. Fábio é um apaixonado por canoagem e possui a maior fábrica de caiaques do Brasil, a Opium Fiberglass, responsável pela construção de mais de quinze mil embarcações, distribuídas em todo o País.